Vanessa Bragança
Termino de empacotar a última peça de roupa. Só deixarei algumas aqui, para quando visitar meu pai. Desço para chamá-los para jantar, mas não encontro nenhum dos dois. Pergunto a uma das empregadas, que aponta para a sala de exercícios. Meu pai sempre teve a mania de ameaçar meus namorados com sua faixa preta. Começo a me mover até lá, apreensiva.
Chego a tempo de ver meu pai derrubando Adrian com um pouco de esforço. Meu pai estava ganhando?
Adrian pisca um olho para mim, tranquilo. Fico aliviada e me pego amando ainda mais esse lobisomem enigmático.
— Já chega, meninos. Hora de se banharem para comer.
— Ela vai ser uma mãe e tanto, não é? — meu pai diz, carinhoso.
— Logo teremos um menino correndo por aí — Adrian fala, e vejo a fisionomia do meu pai surpresa.
— Ei! Eu não estou grávida, pai.
— Não? Melhor tentar mais um pouco. — Seu sorriso me encanta e, embora envergonhada, não consigo realmente ficar brava.
— Adrian! — repreendo.
— Então, alguém da sua família virá ao casamento?
— Acho bom você colocar mais carne no menu, Vanessa, só por garantia.— ele cheira meu pescoço, um hábito que estou cada vez mais apaixonada— Eu enviei os convites.
Eu estava começando a ficar nervosa. Como será a família dele? Vão aceitar de verdade uma humana?
***Liliane
Engoli a bola de sorvete de uma vez, quase engasgando.
— Quer um pouco?
Ele se aproximou até ficar à minha frente. Franziu o cenho para minha sobremesa, tentando entender o que era.
— Melhor não, obrigado.
Eu só tinha trazido uma colher, então a enchi e a enfiei em sua boca. Quem recusa sorvete?
— Além de chegar atrasado hoje, ainda resolveu desdenhar da minha comida?
— Isso não conta como comida de verdade, eu acho... — Aquiles murmura, com a boca cheia de guloseimas.
Reviro os olhos. Decido deixar o restante para a volta. Entro, guardo meu sorvete no freezer e pego minha pequena bolsa vermelha, apenas com o celular e as chaves.
— Vamos.
Seguimos caminhando para a feirinha em silêncio.
Falo talvez um pouco mais ríspida do que pretendia. Eu estava esgotada da reunião. Dou a volta e levanto sua camisa, certificando-me de que ele não havia se machucado com o esforço.
— Não se preocupe. Meu lobo me recuperou quase por completo. Ele é forte. E está empolgado por se vincular à sua loba.
— Melhor assim. Então, o que quer?
Pergunto já me afastando.
— Por que está em um quarto separado do meu?
Vou até o guarda-roupa pegar uma muda de roupa, como se o que ele tivesse dito não fosse nada sério ou não me afetasse.
— Ainda não estou tão familiarizada com você, e também não passamos oficialmente pela cerimônia.
Felipe me abraça por trás.
— Se não me quer, por que não me deixou partir e ficou livre?
A voz crua de Felipe sai misturada à de seu lobo.
— E se eu quiser tentar? Acha que poderíamos, ao menos, tentar nos amar, Felipe?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...