Eliz
Os olhos do Adam pareciam assassinos; o medo de que ele matasse o Kane foi dilacerante. Então minha loba me deu a ideia de tentar agradá-lo em público para amenizar sua raiva — funcionou: Kane está vivo e bem.
Só não contava que eu estaria aqui, sendo mordida no lugar dele.
Kane se abaixou, em submissão a Adam.
— Eliz, tenha calma e deixe o vínculo te guiar — meu pai falou pelo nosso elo.
Fiz o que ele disse. Fiquei meio tonta com o poder entrando de forma abrupta no meu sistema; minhas pernas cederam. Consegui ouvir os aplausos, os uivos, a felicidade de Nara; senti o ardor no pescoço se espalhar.
E agora, deusa, o que será de mim?
Seria eu uma viciada no vínculo, como aquelas lobas que eu resgatava? O suor começou a formar-se na testa; um calor forte dominou o ventre e a respiração tornou-se pesada. Maldito Adam. Será que meu colar ainda tinha efeito? Não quero que ele opine nas minhas decisões na matilha do Sul.
Cheguei em casa e quase atropelei a ômega que abriu a porta. Corri para o banheiro, liguei a água fria no máximo, tirei a roupa e me enfiei debaixo do chuveiro. Vi, pela porta entreaberta, Adam aparecer — muito calmo — e tirar peça por peça na minha frente.
Ainda bem que eu estava debaixo do chuveiro; assim ele não veria minha baba pingar por ele. Seu corpo alto e musculoso me atingiu: uma dor fina começou na minha intimidade. Rangendo os dentes, tentei me controlar. Peguei a toalha pendurada e me enrolei, fugindo da sua presença e do sorriso presunçoso.

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