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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 47

Eliz

Os olhos do Adam pareciam assassinos; o medo de que ele matasse o Kane foi dilacerante. Então minha loba me deu a ideia de tentar agradá-lo em público para amenizar sua raiva — funcionou: Kane está vivo e bem.

Só não contava que eu estaria aqui, sendo mordida no lugar dele.

Kane se abaixou, em submissão a Adam.

— Eliz, tenha calma e deixe o vínculo te guiar — meu pai falou pelo nosso elo.

Fiz o que ele disse. Fiquei meio tonta com o poder entrando de forma abrupta no meu sistema; minhas pernas cederam. Consegui ouvir os aplausos, os uivos, a felicidade de Nara; senti o ardor no pescoço se espalhar.

E agora, deusa, o que será de mim?

Seria eu uma viciada no vínculo, como aquelas lobas que eu resgatava? O suor começou a formar-se na testa; um calor forte dominou o ventre e a respiração tornou-se pesada. Maldito Adam. Será que meu colar ainda tinha efeito? Não quero que ele opine nas minhas decisões na matilha do Sul.

Cheguei em casa e quase atropelei a ômega que abriu a porta. Corri para o banheiro, liguei a água fria no máximo, tirei a roupa e me enfiei debaixo do chuveiro. Vi, pela porta entreaberta, Adam aparecer — muito calmo — e tirar peça por peça na minha frente.

Ainda bem que eu estava debaixo do chuveiro; assim ele não veria minha baba pingar por ele. Seu corpo alto e musculoso me atingiu: uma dor fina começou na minha intimidade. Rangendo os dentes, tentei me controlar. Peguei a toalha pendurada e me enrolei, fugindo da sua presença e do sorriso presunçoso.

Estava prestes a dizer que não quando meu calor se intensificou a ponto de escorrer pelas minhas pernas; elas ficaram trêmulas e moles.

Ele me amparou nos braços e me levou para a cama, cheirando meu pescoço.

— Eu quero sentir o seu cheiro. Não é injusto que você sinta o meu e eu não sinta o seu?

Ponderei; um restinho de razão dizia que não era inteligente. Vendo a toalha dele erguer-se como uma barraca, ignorei a pergunta e o beijei. Agarrei-me ao seu pescoço como a uma tábua de salvação e senti suas defesas caírem — afinal, eu não era a única afetada pelo meu cio ali.

Passei a perna ao redor dele e sentei de frente em seu colo. Pela primeira vez vi ansiedade no rosto do Supremo — expectativa sobre se eu realmente me entregaria ou não. Puxei o colar, quebrando a corrente; segurei a corrente e a levantei pendurada, respirei fundo e a soltei no chão fazendo um " tac, tac, tac" enquanto quicava pelo chão, senti a força do laço envolver-me. As mãos dele aqueceram ao me tocar, provocando pequenos formigamentos. Coloquei as mãos em seu rosto, apreciando-o, e naquele momento soube: eu me perdi.

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