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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 56

Eliz

Um arrepio subiu pela minha nuca. Quando virei, ele já estava ali — uma sombra enorme encostada no canto, observando-me: Adam, silencioso, contido, suprimindo o cheiro que costumava me desarmar.

— O que quer? — perguntei, sem desviar os olhos do amplo jardim real. O vento noturno passava pelo rosto e por um segundo me senti livre — nem que fosse por um suspiro.

— Você. — A resposta veio pelo elo; sua voz dentro da minha cabeça me atravessou. Pela primeira vez senti o estremecer de algo mais que o corpo: era íntimo demais para não exigir sentimento.

— Já tem, não é? — devolvi pelo elo. Vi-o abrir os olhos com satisfação. Atrás dele, o rosto sério, a mandíbula firme — por incrível que pareça, isso o tornava ainda mais bonito.

— Você voltará comigo para o Norte. Pese bem sua resposta. Envolve mais do que nós dois.

Fiquei olhando a noite. Não houve pedido de desculpas. Nenhum “gosto de você”. Nenhuma conversa comum. Nada. Eu era mais uma obrigação na lista dele.

— Como quiser. — Preferi poupar-me ao confronto; ir contra Adam seria inútil. Ele me traria de volta de qualquer jeito.

Depois da cerimônia despedi-me dos meus pais e de Mika. Não precisei usar a informação que ela me dera: todos me trataram com uma cortesia que me surpreendeu. Foi bom saber que posso contar com ela. A satisfação abafou, por ora, os olhares faiscantes de Kaia.

No caminho, silêncio. Permaneci quieta — não por medo nem raiva; minha atenção estava naquele fio dourado que nos prendia. Após o vínculo algo havia mudado: um peso invisível assentara-se entre minhas omoplatas, e ao mesmo tempo a mente parecia limpa, cortante. A verdade clareou como dia: eu pertencia a ele. Mas será que, algum dia, ele poderia pertencer a mim?

— Você é meu. — Ela apontou do alto da escada a taça para as fotos como se isso a legitimasse. — Vai negar que sempre te agradei?

— Sempre soube que eu tinha uma prometida, Kaia. Não te enganei. Saiba seu lugar. — A frase saiu dura, controlada.

Kaia disparou escada acima; eu a segui. Peguei-a pela cintura enquanto ela chutava e gritava impropérios. Ela debatia como fera ferida; a raiva que eu sentia era um nó de ferro.

Soltei Kaia no chão só para ver Eliz já no carro, com as mãos no volante. Ela ligou o motor — olhos fixos à frente, decisão em seus olhos e semblante frio. Corri para alcançá-la: senti o chão sumir sob as patas com a raiva, movendo-me como um lobo.

— Eliz! — berrei, mas o motor rugiu e a noite engoliu os pneus. Corri pelo lado do carro, a respiração curta, o coração batendo como tambor de guerra, sem saber se me jogava na frente do carro, ou se apenas a veria partir.

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