Luna Vanessa
Adrian decidiu me surpreender com a lua-de-mel. Disse que me levaria a um lugar que eu nunca conhecera na vida. Tive dúvidas; meus pais, quando encontravam tempo livre, sempre me levavam para conhecer algum lugar; mas ali estávamos, depois da festa: eu, ele e seus pais, dentro de um quarto vazio, diante de uma parede branca; na minha casa.
Comecei a desconfiar que talvez todos eles estivéssem em surto coletivo, mas não era sábio apontar isso, então mordi os lábios, deixando-os em linha fina antes de soltar qualquer palavra.
Uma pequena faísca surgiu e um círculo se formou. Arregalei meus olhos sem acreditar; Adrian me abraçou firme.
— Calma — disse ele — é a nossa carona chegando.
O círculo abriu-se, ficou oval, logo tomou o tamanho de uma porta. Uma mulher loira e delicada apareceu, com simetrias tão perfeitas que pensei estar vendo uma miragem.
— Olá, Vanessa. Bem-vinda a Arcádia —ela parecia muito orgulhosa — o reino das fadas.
Ao lado dela estava um homem com sorriso simpático.
— Essa é a Ania, minha fada madrinha; aquele é o Aurin.
Um som como tecido esticando. Vi duas asas se abrindo atrás dele; certamente maiores que meus braços alongados.
— Uau! — falei, encantada. — São maravilhosas.
Adrian me puxou possessivo para perto do corpo; pude ver Aurin com um sorriso maroto nos lábios. Ele inclinou-se um pouco para que eu pudesse tocar. Adrian resmungou, ciumento.
— Nada disso! O único ser sobrenatural que pode pôr as mãos nela sou eu.
— Que pena! — Aurin fez uma cara sínica— Se mudar de idéia sabe onde me achar, a propósito já deixei os anciãos cientes da existência de uma Luna humana em nosso território, eles se encarregaram de avisar aos guerreiros reforçando a segurança, deixei as fêmeas por sua conta.
— Obrigado por resolver as coisas lá. E não vou mudar de idéia, mantenha suas asas longe da minha fêmea.
Quis rir do ciúme bobo; contive-me. Meu lobo provavelmente ficaria ainda mais furioso com o amigo.
Me despedi de todos e agradeci em especial minha sogra por ter ido.
O que Adrian prometera, ele cumprira com maestria: o lugar era literalmente um conto de fadas. As plantas tinham cores vivas, luminosas como vagalumes. Ele me conduziu por uma trilha e, ao final, havia uma cabana aconchegante.


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