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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 65

Eliz

— Luna, por favor, pense melhor... uma Luna não pode agir por impulso assim.

Mika já reclamava pela enésima vez. Eu a tinha chamado para comprar o vestido, coloquei minha mochila no carro dela e pedi que esperasse; só então ela se deu conta de que eu estava indo visitar a pequena matilha dela.

— Para de reclamar e dirige — digo. — Vou dormir.

— Sim, Luna — ela responde num gemido quase dolorido.

Deito-me no banco de trás e cochilo. Achei que as mães só ficassem cansadas nos últimos meses, mas meu filhote deve ser exigente — não faço outra coisa a não ser bocejar.

— Luna, acorde. — O carro parou; a chuva aumentara, com raios e trovões. Descemos e corremos até uma casa simples de vila.

— Vovó, eu trouxe visita! — ela gritou na entrada. Uma senhora baixinha, grisalha, de olhos doces apareceu. Curvou-se, expondo o pescoço em reverência.

— Obrigada por me receber de surpresa — digo.

— Sentem-se; vou preparar um bom caldo quente para esquentar vocês — ela responde.

Mika e eu comemos o caldo, e meu celular começa a tocar novamente.

— Luna, pelo menos olhe o visor; todos devem estar preocupados a esta hora — Mika insiste.

— Mika, você parece minha avó — respondo, pegando o celular na mochila. Vejo o nome de Adam no visor. Meu telefone é via satélite; não podem me rastrear, então atendo.

— Fala, Adam.— usei um tom bem despreocupada, para irritar ainda mais o Supremo.

— Quando o Supremo estourou o acampamento, ele me pegou no colo e não deixou que eu percebesse que segurava a mão da minha mãe morta, achando que ela ainda estava viva — ela murmura, os olhos marejando ao voltar a um passado distante. — Foi ele quem cuidou pessoalmente dos meus estudos e do meu sustento até eu crescer. Nesta aldeia ficam todos os lobos que foram renegados alguma vez, até que encontrem um companheiro ou provem algum valor.

— E você tem valor a mostrar — cutuquei-a.

— Tenho, sim, senhora... Consigo fazer roupas lindas e, com isso, estou empregando quase toda a matilha — ela diz, o brilho voltando aos olhos.

— Suas roupas são mesmo lindas — falo, cobrindo-me para dormir.

Ao amanhecer, ela me leva de volta e me deixa perto o suficiente para eu fazer uma curta caminhada. A brisa da manhã e o canto dos pássaros me deixam relaxada. Pelo horário, Adam já deve ter ido trabalhar. Penso em quanto minha vida pode, sem querer, mudar a vida de tanta gente — e em como gostaria de conhecer o Adam cuidadoso de quem ela falou.

Antes de chegar aos degraus da porta, Adam a abre pessoalmente; com os olhos estreitados, ele cruza os braços.

— Olha quem voltou...

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