Adam
— Dessa vez a Eliz não perde por esperar. Se ela acha que vai ficar mais seis anos se esfregando com aquele macho por aí, vai cair do cavalo.
— O pai dela também não está sabendo, alfa? O senhor não quer aguardar mais um pouco? Ela pode esfriar a cabeça e vir sozinha... — disse Ajax, meu beta, que andara por todos os cantos com o Gama atrás da Eliz.
Fechei os olhos, tentando lembrar todos os conselhos que minha mãe me dera sobre a Eliz. Se, por um segundo, eu tivesse imaginado que ela seria minha companheira destinada, jamais teria me envolvido com outra fêmea ao redor.
— Não, Ajax. Vocês só descansam quando ela aparecer — falei de mau humor.
Liguei de novo e de novo até que ela atendeu. A voz rouca dela soava estranhamente tranquila; a infeliz nunca me enfrenta de frente.
Desliguei o aparelho e encarei Ajax e o Gama, que estavam boquiabertos.
— O quê? — perguntei, irritado.
— Devia ter começado com “me desculpe por abraçar outra fêmea em público e depois mentir pra você”.
— Eu não fiz nada demais, só agradeci porque estava saindo de um exame.
Ajax massageou as têmporas, cansado. O Gama deu ordens e retirou os outros machos que lideravam as equipes nas ruas à procura da Eliz.
— Você está doente?
— Não! — respondi seco. Tive que contar a verdade, senão Ajax não me deixaria em paz. — Suspeitava de infertilidade; a Eliz ainda não ficou grávida. Fiz um espermograma e deu que estou fértil — então o problema deve ser com ela.
— A Eliz é uma Luna verdadeira, isso não faz sentido. A natureza dela é ser fértil. E se ela estivesse abraçando outro macho, já pensou?
Imaginei a cena e cruzei os braços, rendendo-me ao que poderia acontecer. Se eu tivesse visto algo assim, tudo teria voado naquele andar. Mas aí está o problema: eu não teria virado as costas e fingido que não vi.
Quando a mulher do Gama chega perto de alguma fêmea, arma um circo. Kaia, por mais louca que seja, fez o que pôde para chamar minha atenção.
— Certo. Vou esperar até amanhã.
— Que amiga?
— Não é você quem devia me dar explicações? Já que estava abraçadinho com a Cássia, sua ex.
Como ela soube disso? Respirei fundo; precisava ter paciência — a conversa era séria demais para explosões.
— Eu devia ter falado a verdade, mas estava esperando o resultado de um exame. Nós demorávamos mais que o normal para você engravidar, e eu não queria te pressionar até ver se estava tudo bem comigo.
Eliz ficou estática.
Puxei-a para o sofá e tentei explicar com calma sobre a possível infertilidade dela. Com os tratamentos modernos, a gravidez seria possível; eu a levaria aos melhores médicos de fertilização.
— Você foi atrás da sua ex para isso? Para expor nossa vida pessoal? — ela perguntou, com jeito de pouquíssimos amigos.
As palavras ficaram no ar enquanto eu procurava o que dizer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...