Eliz
Acordei no meu quarto, ainda suja e enrolada no lençol que Adam havia me coberto. Minha intimidade doía e estava suja. Levantei com esforço e fui direto ao banheiro; tentei esfregar a pele o máximo que pude, mas o cheiro dele já se entranhara em mim.
Saí à procura de Adam e o encontrei na enfermaria, ao lado do meu pai. Minha mãe e a curandeira corriam pegando medicamentos. Senti quando Kane chegou perto e me sobressaltei.
— Sou eu, Eliz — ele disse, dando um passo atrás; os olhos tentavam transmitir tranquilidade.
— Quem ousou? — perguntei. — Tenho certeza de que, se entraram, alguém de dentro da minha matilha ajudou.
— Dois machos, insatisfeitos porque suas fêmeas os rejeitaram e agora trabalham como guerreiras na estufa, foram para a masmorra — respondeu Kane. — Estão à disposição do seu pai e de Adam.
— Coloquem um palanque no centro da matilha e amarrem-nos lá — interrompiu Kane friamente. — A sentença deles será dada por mim, agora mesmo.
Kane assentiu e saiu para cumprir a ordem. Entrei na enfermaria e segurei a mão de Adam.
— A cura dele está lenta. Por quê? — perguntei.
Todos se entreolharam, desconfiados, até que o curandeiro mais velho se adiantou:
— Ele tomou uma porção que enfraquece o lobo à tarde. Não poderia ir resgatá-la. Mas sabia dos riscos, Luna — completou — foi escolha dele.
Algo dentro de mim quebrou em mil pedaços. Os dois machos em quem mais confio estavam ali, frágeis; eu estava acostumada a vê-los tão altivos e fortes. Segurei a mão de Adam e sussurrei em seu ouvido:
— Volte pra mim, meu amor. Não me imagino com outro macho que não seja você, Adam.
Beijei seus lábios frios. Enquanto caminhava em direção ao centro da matilha, liguei para o pai de Adam e contei o ocorrido; pedi que viesse com seus guerreiros — faríamos uma visita àquela matilha.



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