Eliz
Diante do médico curandeiro, tomei a poção do dia seguinte.
— Em todo caso, fique ciente de que, no outro aborto, limparam seu útero e te deram medicação para restaurar sua saúde feminina. O que, no seu caso, até facilita uma nova gravidez, já que não havia nenhuma doença.
— Pode olhar e tirar qualquer coisa que esteja agarrada lá, por favor. — Minhas mãos estavam geladas, e meu coração disparava com a ansiedade pela resposta.
— Você teve uma ruptura antes, eu não posso arriscar deixá-la infértil, Luna. — O tom grave reverberou por todo o meu corpo, em puro choque. — Pelo menos, se estiver grávida, seu corpo terá alguns meses para se curar corretamente.
O gosto do medo era amargo em minha língua, mas eu já sabia que poderia ouvir isso dele. Não deixei transparecer no rosto. Levantei-me imediatamente e saí em direção à minha casa — só para trombar com o rei Lucien, com os olhos soltando faíscas de tanto ódio.
Ele me conduziu ao escritório como se a casa fosse dele, e não minha. Seus olhos continuavam faiscando.
— Eliz, o que aconteceu dessa vez? Como, em uma única matilha, eu tenho dois Supremos quase mortos?
Engoli em seco e empurrei para perto dele as várias petições com ameaças que havia encontrado mais cedo.
— Acontece que nem todos ficaram felizes pelo meu pai e Cedric unirem suas matilhas.
Enquanto ele lia os papéis, fez a pergunta que secretamente martelava em minha cabeça:
— Qual deles te levou?
— Eu... não perguntei.
— Ele buscou a morte. Seu nome era Gael. Alfa da Garra de gelo. — A voz de Lucien perdeu parte da dureza. — Há muito tempo, ele teve uma companheira destinada, uma ômega. Ela morreu no parto. Depois de anos, escolheu uma companheira de sangue alfa... mas ela também morreu no parto. Desde então, Gael ficou cada vez mais selvagem. Tínhamos medo de que se tornasse um feral, sem alma. Eu deveria ter previsto isso...
Lucien parecia genuinamente triste, se encostou no encosto da cadeira e pareceu pesar suas palavras, mas continuou:
— A família dele queria muito um herdeiro. Se... você não quiser ficar com a criança, pode entregá-la aos pais de Gael. Eles ficariam com um pedaço do filho.
O calor subiu pelo meu corpo — ainda dolorido pelo que aquele maldito tinha me feito —, e agora ele ainda saía com o prêmio que tanto queria.
— Vou lhe informar da minha decisão quando tiver uma, meu rei. — Fiz questão de pronunciar o título entre os dentes. Era o máximo que conseguiria. Afinal, mandar ele tomar no bunda... poderia me render mais problemas.
Foi então que um estrondo ecoou do lado de fora, seguido de uivos — o som claro de estranhos chegando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...