Eliz
Chegamos a uma cabana rústica e charmosa, mas eu nunca tinha estado ali.
Olhei pela janela — estávamos em meio a uma floresta. Já viajei por muitos lugares, mas nunca vi flores tão grandes e de cores tão diferentes.
— Onde estamos? — perguntei.
— Em Arcádia. O reino das fadas, elfos e outras criaturas místicas.
Pisquei, impressionada. Ninguém me encontraria aqui.
— Essa era minha casa antes de acasalar com o Atenor — explicou Ania.
Dei um meio sorriso.
— Fadinha, você é uma caixinha de surpresas.
Suas bochechas coraram, e eu amei a honestidade e a fácil leitura da minha amiga.
— Reino novo, casa nova e filhotes… Pelo jeito, vou recomeçar minha vida em grande estilo.
Ania ficou em silêncio — o que era bem incomum nela.
— Ania? — chamei.
— Você não vai ficar aqui… quero dizer, na minha casa… comigo.
Hum. Pela cara dela, eu sabia que não gostaria do que vinha a seguir.
— E onde eu vou ficar?— perguntei curiosa.
— Na casa de Calendir — respondeu rápido, antes que eu retrucasse. — Você precisa de um ser poderoso ao seu lado. A minha gravidez e a sua estão avançando rápido. Logo você vai precisar de mais cuidados, e eu estarei mais fraca.
Fechei a boca. Ela estava certa. Não seria justo sobrecarregar minha amiga.
Sentei no sofá e esperei pelo tal elfo.
— Está bem. E com o que eu devo me preocupar no seu mundo? — perguntei.
— Calendir vai te explicar. Eu preciso ir antes que percebam minha ausência.
E, num instante, ela abriu um vórtice e desapareceu.
Algum tempo depois, fui até a cozinha. Abri a geladeira e preparei algo simples. Só tinha folhas.
Minha loba murchou, resignada — aparentemente, comeríamos mato em nossa estadia aqui.
Então, escutei o som da porta se abrindo e fiquei em alerta.
Um macho entrou. Era alto e magro, com cabelos tão loiros que pareciam brancos — lisos, longos, caindo até abaixo da linha do quadril. Em outro, pareceria afeminado, mas o rosto dele, com a mandíbula forte e o olhar verde felino, o deixava marcante.
Se não fosse pelo olhar gélido — vazio, distante — eu até diria que ele poderia passar por um lobisomem.
Será que todos os machos aqui eram assim?
As roupas dele eram diferentes: esvoaçantes, longas, como uma túnica de tecido fluido. Braceletes de couro adornavam seus braços.
O ar ao redor dele tinha um cheiro fresco, amadeirado. Um aroma limpo, que parecia purificar meus pulmões e afastar o enjoo que me acompanhava há dias.
Percebi o quanto estava o encarando e corei, surpresa com a própria reação.
Ele esboçou um meio sorriso curioso. Eu ainda estava com a boca cheia, mastigando um sanduíche improvisado. Engoli rápido —
— Meu nome é Eliz.
— Eu sou Calendir. Acredito que estava me esperando. Vamos?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.