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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 87

Eliz

Chegamos a uma cabana rústica e charmosa, mas eu nunca tinha estado ali.

Olhei pela janela — estávamos em meio a uma floresta. Já viajei por muitos lugares, mas nunca vi flores tão grandes e de cores tão diferentes.

— Onde estamos? — perguntei.

— Em Arcádia. O reino das fadas, elfos e outras criaturas místicas.

Pisquei, impressionada. Ninguém me encontraria aqui.

— Essa era minha casa antes de acasalar com o Atenor — explicou Ania.

Dei um meio sorriso.

— Fadinha, você é uma caixinha de surpresas.

Suas bochechas coraram, e eu amei a honestidade e a fácil leitura da minha amiga.

— Reino novo, casa nova e filhotes… Pelo jeito, vou recomeçar minha vida em grande estilo.

Ania ficou em silêncio — o que era bem incomum nela.

— Ania? — chamei.

— Você não vai ficar aqui… quero dizer, na minha casa… comigo.

Hum. Pela cara dela, eu sabia que não gostaria do que vinha a seguir.

— E onde eu vou ficar?— perguntei curiosa.

— Na casa de Calendir — respondeu rápido, antes que eu retrucasse. — Você precisa de um ser poderoso ao seu lado. A minha gravidez e a sua estão avançando rápido. Logo você vai precisar de mais cuidados, e eu estarei mais fraca.

Fechei a boca. Ela estava certa. Não seria justo sobrecarregar minha amiga.

Sentei no sofá e esperei pelo tal elfo.

— Está bem. E com o que eu devo me preocupar no seu mundo? — perguntei.

— Calendir vai te explicar. Eu preciso ir antes que percebam minha ausência.

E, num instante, ela abriu um vórtice e desapareceu.

Algum tempo depois, fui até a cozinha. Abri a geladeira e preparei algo simples. Só tinha folhas.

Minha loba murchou, resignada — aparentemente, comeríamos mato em nossa estadia aqui.

Então, escutei o som da porta se abrindo e fiquei em alerta.

Um macho entrou. Era alto e magro, com cabelos tão loiros que pareciam brancos — lisos, longos, caindo até abaixo da linha do quadril. Em outro, pareceria afeminado, mas o rosto dele, com a mandíbula forte e o olhar verde felino, o deixava marcante.

Se não fosse pelo olhar gélido — vazio, distante — eu até diria que ele poderia passar por um lobisomem.

Será que todos os machos aqui eram assim?

As roupas dele eram diferentes: esvoaçantes, longas, como uma túnica de tecido fluido. Braceletes de couro adornavam seus braços.

O ar ao redor dele tinha um cheiro fresco, amadeirado. Um aroma limpo, que parecia purificar meus pulmões e afastar o enjoo que me acompanhava há dias.

Percebi o quanto estava o encarando e corei, surpresa com a própria reação.

Ele esboçou um meio sorriso curioso. Eu ainda estava com a boca cheia, mastigando um sanduíche improvisado. Engoli rápido —

— Meu nome é Eliz.

— Eu sou Calendir. Acredito que estava me esperando. Vamos?

Ele subiu as escadas, e eu o segui.

— Vou te mostrar seu quarto. Quando terminar de se instalar, desça para se alimentar.

— Certo.

O quarto era amplo, com uma grande janela redonda de frente para a floresta. Cada detalhe enautecendo a natureza, parecia escolhido com cuidado. No fundo, havia um banheiro.

Tomei um banho rápido e desci.

Na mesa de madeira, o jantar estava servido para dois. A iluminação era suave, sem energia elétrica — parecia tudo feito à luz de velas.

Calendir serviu um pedaço generoso de carne no meu prato; no dele, apenas uma salada imensa. A gentileza em me servir e saber o meu gosto me deixou intrigada, não me lembro de alguma vez um macho cozinhar e me servir, que não fosse meu pai.

— Eu posso ajudar na casa. Cozinhar, limpar… qualquer coisa, enquanto estiver por aqui — ofereci.

— Pensarei em algo para você, Eliz. Agora suba e descanse.

Comecei a subir as escadas, mas a tontura voltou.

Esperei a queda — que nunca veio. Senti meu corpo ser erguido com facilidade.

Calendir me segurava. Passei os braços ao redor de seu pescoço e encostei a cabeça em seu peito.

Ele não era nada magro, percebi — seu corpo era firme, musculoso, sólido como pedra.

Ele me colocou na cama com cuidado.

Quando começou a desfivelar o cinto e tirar a túnica, revelando as orelhas pontudas entre os fios longos do cabelo, meu coração disparou.

— O que está fazendo? — perguntei, alarmada.

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