Eliz
Minha audição volta aos poucos em meio à escuridão.
— Não precisa chamar a ambulância. Estou pedindo um carro por aplicativo; minha amiga está grávida, é normal, e vamos ao consultório da médica dela.
— Senhora, e se ela desmaiar no caminho? — Estou numa pequena sala; um bombeiro checa minha pressão enquanto Amara tenta convencer um segurança.
— Já me sinto melhor. Prefiro ir à minha médica.
Amara fica visivelmente aliviada por me ver acordada.
— Vocês podem nos ajudar a colocar minha amiga no carro? Lá na clínica um funcionário nos ajuda.
Graças a Selene, Amara parece ter tudo sob controle. Luto contra a tontura dentro do carro, mas consigo chegar ao apartamento.
Amara me aplica uma porção de cura e me faz descansar.
Os dias passam e minha situação não melhora. Ania aparece algumas vezes para sessões de cura.
— Você não está melhorando. Acho que não tenho energia suficiente para dois filhotes. — Ela finalmente se dá por vencida; afinal, também está grávida e não consegue me ajudar direito.
Conversamos na sacada, olhando a imensidão de prédios.
Baixo a cabeça. Fui arrogante ao achar que conseguiria sozinha, sem considerar que os machos podem ter seus motivos. Meu corpo está pagando pela teimosia.
— Não se martirize, Ania. — A carinha triste dela me aperta o coração. — Algumas coisas são como devem ser. Talvez esse seja o meu destino, afinal.


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