Eliz
Congelei no lugar. Meus sentidos lupinos estavam à flor da pele, enquanto ele achava que havia algo errado com meus filhotes. Que vexame.
— Vou chamar uma fada de cura...
Ele se aproximou, mas eu me afastei o mais rápido que pude. Seus lábios se apertaram em uma linha fina.
Será que o tinha chateado?
— Não é necessário. São sintomas comuns da gravidez. Desculpe por te acordar.
Ele voltou para a cama e levantou o lençol, convidando-me a deitar novamente ao seu lado.
E como eu negaria? Depois, quando me sentisse mal outra vez, teria coragem de pedir de novo?
Melhor aceitar de uma vez.
Eu só precisava pensar em outra coisa. Então, me concentrei na minha matilha, que estava distante.
Graças a Selene, meu pai havia recuperado a saúde.
E agora — por bem ou por mal — minha matilha teria herdeiros.
Mesmo que não fossem de Adam, seriam poderosos.
— Igor está sofrendo com nossa ausência, Eliz. — A voz de Nara soou triste.
— Eu sei, Nara... eu sei.
A melancolia me envolveu, e logo adormeci.
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Amanheci abraçada a ele, como das outras vezes. Uma batida leve na porta nos despertou.
Fui atender, e um jovem elfo me entregou uma mala de mão quadrada, de couro.
— Deixa comigo. — Calendi pegou a mala, levou-a até o quarto e a colocou sobre a cama.
Abriu o fecho e revelou peças lindíssimas e delicadas. O tecido parecia fazer carinho na pele.
Um dos vestidos era especialmente encantador: tinha bordados nos punhos das mangas em um tom verde — a cor exata dos olhos de Calendi.
— Acho que demos uma impressão errada a ela. — Ele arqueou uma sobrancelha.
No fundo da mala havia uma caixa. Dentro dela, uma joia que imaginei ser uma tiara: três ramos entrelaçados com uma pedra verde em formato de gota.
Calendi pegou a joia, colocou-a sobre minha cabeça, logo acima das orelhas, e soltou meu cabelo — ainda preso num coque noturno bagunçado.
Os fios caíram sobre as laterais da tiara, e a pedra verde brilhou bem no centro da minha testa. Uma jóia élfica.
— Vamos dar o que falar aos arcadianos esta noite.
Um sorriso contido se insinuou em seus lábios.
A primeira coisa que pensei foi em agradecer, mas isso já se tornaria repetitivo — e insuficiente diante do que ele vinha fazendo por mim.
Então apenas fiquei nas pontas dos pés e depositei um beijo leve e sincero em seu rosto.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.