Eliz
A pergunta dele me pegou desprevenida.
Não respondi de imediato, e o silêncio caiu pesado, falando mais alto do que eu gostaria. Baixei a cabeça, olhando para os meus pés.
Calendi tocou meu queixo com delicadeza e me fez encarar seus olhos. Um sorriso leve se desenhou em seus lábios — um gesto suave, educado, apenas para confortar.
— Não se preocupe. Eu sei que algumas feridas demoram a cicatrizar. — Ele retirou a mão e, em seguida, voltou a vestir sua máscara fria. — E é claro que você não precisa me dar satisfação. Foi só modo de falar.
Fiquei grata pela tentativa de me tranquilizar mas nada surtiu tanto efeito quanto ver uma faísca abrindo um vórtice diante de nós — e Ania saltitando por ele. Calendi e eu nos afastamos rapidamente.
— Sentiram minha falta? — perguntou ela, animada.
Atrás de Ania vinha o enorme lobo de Atenor, seu companheiro. Caminhava tranquilo, ignorando solenemente Calendi e a mim.
— Claro! — A puxei para um abraço apertado, tanto quanto uma grávida pode se dar ao luxo. — E quanto ao meu laptop e celular, fada? — Fiz um biquinho como uma criança. Ficar sem telefone era como perder um membro. Eu vivia olhando, esperando alguma mensagem ou notificação que nunca vinha.
— Huum... sinto muito, Eliz. — Ela balançou a cabeça, negando. Murchei como uma rosa sem água.
— Posso pegar as informações com seus pais e trazer para você. Levo as suas de volta para eles.
Assenti. Bem, melhor que nada.
— Ah, não faz essa carinha! — brincou. — Então, Calendi está cuidando bem de você? — Seus olhos estreitaram de forma suspeita. Ela notou nossa aproximação.
— Cuida sim. — Sorri. — Sua dedicação é realmente impressionante.
— Eu sabia que minha decisão tinha sido acertada! — Ela bateu pequenas palminhas, empolgada. Mas logo seu sorriso vacilou.
— Tenho notícias boas... e más.
Ania se jogou no sofá, e Atenor deitou ao seu lado, apoiando a cabeça em seu colo. Ela começou a fazer carinho no lobo, distraída.
— A boa é que, aparentemente, o Rei não está bravo por você ter fugido. Acho que ele não quis incriminar sua rainha.
A ruim... — ela suspirou — é que Adam disse que, se você quer tanto os filhotes, que fique com eles. E... que não precisa voltar para casa.
Ania parecia constrangida ao dar o recado.
Típico do Supremo — acostumado a mandar e ser obedecido.
Eu não ia chorar nem desmoronar por ele.
Não escolhi esse destino. Relaxe os ombros, endireitei a postura no sofá e encarei minha amiga.
— Imaginei algo assim... — bufei, irritada.
Calendi se retirou da sala, e Ania aproveitou para cochichar:
— Acho que ele só está magoado. Quando os filhotes nascerem, talvez você possa reconquistá-lo. Mas, se não quiser, meu amigo elfo seria um companheiro perfeito pra você. Eu garanto!
— Ah, claro... — revirei os olhos. — Como se um ancião do Conselho Sobrenatural e senhor do fogo fosse se interessar por mim.
— Então vai voltar pro Supremo?
— Ainda não decidi, Ania. Filhotes de lobisomens precisam de disciplina — principalmente se forem machos.
Atenor ergueu as orelhas e olhou para a direção por onde Calendi voltava, avisando-nos para encerrar a fofoca.
Ele entrou na sala carregando uma bandeja. Colocou sobre a mesinha petiscos doces e uma tigela cheia de carne para o lobo.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.