Eliz
Continuei olhando, boquiaberta, para Atenor, depois que ele terminou de explicar — como se o que dissesse fosse a coisa mais simples do mundo.
— Então, ao seu ver, resumindo… eu só preciso esfregar minha periquita na cara do Supremo?
Falei devagar, temendo que ele tivesse passado tempo demais na forma lupina e que isso tivesse afetado seu famoso cérebro tático.
Todos olhavam de mim para ele — ninguém respirava, aguardando minha reação.
Estava de pernas cruzadas, o cotovelo apoiado no joelho e o rosto entre o indicador e o polegar, pensativa.
— Vocês, fêmeas, complicam o que é simples — disse ele. — O macho lobisomem é guiado pelo seu instinto.
Atenor pegou um pedaço de carne que Calendi havia preparado como petisco.
Logo depois, Calendi apareceu com um moletom cinza e o entregou a ele.
Acho que era ciúmes do olhar da sua fada sobre outro macho.
O que, ironicamente, provava o ponto de Atenor.
Recostei-me no sofá, avaliando.
Bem, era isso… ou fugir pelo resto da vida, condenando meus filhotes a nascerem renegados e sem matilha.
— Então… — comecei devagar. — Você vai convencer o Gustavo a abandonar a guerra com Adam, e eu preciso deixar o lobo de Adam tão louco que ele não consiga me expulsar?
— Viu? Não é tão difícil — respondeu Atenor, dando de ombros. — Você é a companheira dele, afinal de contas.
— Se ele te deixar muito fraquinha, eu te empresto meu lobinho. — Foi a vez dele rir, enquanto meu rosto ardia como um tomate maduro.
— Ah, amiga, não faz essa cara. A Lívia tem dois parceiros machos e vive muito feliz. Não é nada de outro mundo.
Ania resmungou com um biquinho.
— Amiga, muitíssimo obrigada por oferecer, mas eu realmente espero não ter que chegar a esse ponto.
Graças a Selene, só havia eu e ele de lobos naquela sala. Nenhum dos outros sentiria o cheiro dos feromônios de excitação que pairavam no ar.
Meu corpo sensível ousou reagir à imagem criada pela proposta de Ania.
Olhei de relance para Atenor pelo canto do olho.
Meu “amigo” estava contemplando um vaso na janela… e segurava a toalha que havia enrolado antes numa posição bem estratégica, logo na linha da cintura não me enganava.
*******Adam
O Rei Lucien havia me convocado novamente ao castelo.
— Antero, eu juro que vou começar a filmar nossas lutas pra Lívia ver, seu trapaceiro.
O Gama apenas balançou a cabeça em negativa.
— Não dá pra ter tudo, meu amigo — respondeu ele, cuspindo sangue no canto da boca.
Atenor surgiu na entrada.
Antes mesmo que abrisse a boca, sentimos as auras do Beta e do Gama mudarem, inundando o local.
— Quem ficou com Lívia? — Beta e Gama perguntaram em uníssono.
A fêmea deles havia sofrido uma brutal violência, e desde então eles não a deixavam sozinha nem por um minuto.
Eu entendia o medo deles… mais do que gostaria de admitir.
Atenor levantou as mãos em rendição.
— Calma, vocês dois! — disse rápido. — Deixei ela e os filhotes com Ania e Eliz. Aquela conversa toda sobre fraldas...
O interrompi. Aproximei-me, rosnando bem perto do rosto dele.
— Repete, Atenor.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...