Adam
O rosto dela, que normalmente ficaria vermelho de raiva, manteve-se tranquilamente pacífico.
Eliz simplesmente se virou de costas e foi em direção à escada, me ignorando.
Meu coração deu um salto. Acho que acabei de descobrir que prefiro quando ela grita e me xinga — quando demonstra algum sentimento. Uma sensação de perda me atingiu como um choque.
— Eliz, você é minha companheira. Para com isso — tentei falar o mais calmo e em tom baixo possível— Afinal, em nenhum momento eu disse que não te quero.
Ela parou no segundo degrau. Não me olhou, apenas abaixou a cabeça, subiu mais um e depois outro. Se ela chegasse ao fim daquela escada, ninguém me deixaria levá-la de volta para a minha casa. Meu lobo, desesperado, uivava na minha cabeça pedindo que eu a levasse embora; eu tentava resistir aos seus apelos.
— Me desculpe, Eliz. — Meu desespero aumentava a cada degrau que ela subia. Ela apoiou a mão no corrimão delicadamente, colocou a outra sobre o ventre e virou o rosto para mim; seu olhar vagueou por mim por um instante.
Quando chegamos, ela abriu a porta do carro e entrou marchando furiosa. Coloquei as mãos no bolso e acompanhei o movimento do seu corpo, observando o traseiro rebolando enquanto ela subia os dois degraus da entrada. Estavam mais largos e bem desenhados, dando-lhe uma imagem ainda mais sensual. Notei também que seus seios estavam maiores. Adorei o jeito como ela escancarou a porta e entrou, antes mesmo da serva abrir; ela sabe que é a dona disso tudo. Entrei devagar, alguns passos atrás.
Realmente não queria cometer o mesmo erro da primeira gravidez. Se não fosse pela minha estupidez naquele dia, dentro dela estaria um filhote meu e não de outro.
Dessa vez será diferente. Preciso ter calma e paciência. Ela subiu as escadas furiosa em direção ao nosso quarto. Eu sorri satisfeito— finalmente teria alívio; minhas bolas pareciam estar criando teias de aranha. Quando a vi voltar com um monte de tecidos e começar a jogá-los para o andar de baixo — onde as servas acompanhavam a cena boquiabertas, vendo meus ternos feitos sob medida serem atirados olhando dela para mim temendo uma reação minha— percebi que logo ela voltou com um vaso e tentou me acertar; o vaso se espatifou no chão. Por Selene, ela pareceu fraquejar, piscou duas vezes e começou a tombar para a frente desacordada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...