Adam
Eu vi a cena em câmera lenta: corri com os olhos até ela e arqueei os braços, tentando não machucá-la no processo. Ela caiu desacordada, pálida, e o nariz sangrava — talvez por causa da queda.
— Chamem a curandeira! — gritei. As servas ômegas pareciam estátuas.
Subi imediatamente com ela e a coloquei gentilmente na cama; a roupa de tecido fino e transparente, junto com a palidez, dava-lhe um ar etéreo.
Peguei um lenço e comecei a limpar o sangue do seu rosto. A curandeira chegou correndo e a examinou, pegou uma maleta ao lado, tirou uma porção e pousou-a sobre os lábios dela. Segurei sua mão.
— Ela está grávida. —Seria a oportunidade perfeita para despejar alguma erva que a fizesse abortar — ainda assim, senti que nunca seria perdoado por isso. A curandeira baixou a mão com a porção.
— Tire a sua roupa e a ampare, então. — Franzi o cenho sem entender, mas comecei a tirar minha camisa. — É assim que ela está recebendo energia de alguém, então?
— Isso deve resolver, visto que os filhotes têm normalmente o mesmo tipo de energia do pai. Conforme a gravidez avança, ela precisará de você mais tempo por perto. Recentemente passei por isso com o Beta Real e Lívia — explicou, guardando a porção na maleta e se dirigindo à porta.
Engoli em seco diante da verdade: talvez eu não fosse suficiente durante toda a gestação.
— Espere!
A curandeira olhou para mim. Eu já estava na cama tentando tirar a roupa dela. Um sorriso abriu-se no rosto da curandeira; ela achou que eu queria ajuda com isso e voltou para me auxiliar a tirar o vestido.
— É o primeiro lobo que vejo se preocupar em não danificar o vestido da fêmea, Supremo. Normalmente elas ficam indignadas ao ver suas roupas lindas em farrapos.
Baixei a cabeça para dizer algo que poucos lobos sabiam, algo íntimo e vergonhoso para mim.
— Não são meus... — confessei. — Eles são filhotes de um lobo real: Gael, da matilha Garras de Gelo.
A curandeira ficou surpresa; baixou a cabeça, visivelmente processando a informação. Aguardei a resposta. Enquanto ela ajudou-me a despir Eliz cuidadosamente.
— Eu... preciso conversar com o curandeiro-chefe para lhe dar uma resposta oficial, Supremo.
Ela saiu apressada, e eu a segui só de cueca. Ela sabia mais do que dizia.

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