“Alguns homens dizem ‘aceito’. Outros… nunca mais vão embora.”
Damian Cavallari nunca teve medo de perder nada na vida, até o instante em que percebeu que, pela primeira vez, havia algo que ele não saberia como viver sem.
E era exatamente por isso… que ele não conseguia desviar os olhos da entrada.
A igreja já estava cheia quando os primeiros acordes ecoaram pelo ambiente, não como uma simples música, mas como o anúncio de que algo importante e irreversível estava prestes a acontecer, fazendo com que todos desacelerassem e voltassem sua atenção para a entrada.
Os vitrais filtravam a luz da tarde em tons dourados e suaves, espalhando reflexos delicados pelo mármore claro, enquanto arranjos de flores brancas e verdes desenhavam o caminho até o altar com uma elegância que não precisava exagerar para ser grandiosa.
Era perfeito.
Mas nada ali competia com o que estava prestes a acontecer.
Nos primeiros bancos, nomes influentes, figuras conhecidas, pessoas acostumadas a eventos grandiosos e a decisões que moviam mercados inteiros, mas que, naquele instante, não estavam ali por negócios, por interesse ou por status, estavam ali porque queriam testemunhar algo que dinheiro nenhum poderia comprar.
Amor verdadeiro.
Damian Cavallari permanecia de pé diante do altar, impecável em cada detalhe, o terno ajustado com precisão ao corpo, os ombros firmes, a postura inabalável que sempre o definiu diante do mundo, mas havia algo nele que nenhum corte de alfaiataria poderia esconder: a tensão silenciosa que percorria o corpo, a respiração levemente irregular, e o olhar fixo na entrada com uma intensidade que denunciava tudo o que ele ainda não havia dito.
Ele não estava nervoso como um homem comum estaria.
Ele estava… vulnerável.
E aquilo, para alguém como Damian, era infinitamente mais profundo.
Ao lado dele, Alessandro mantinha a postura elegante, embora o leve sorriso nos lábios denunciasse que estava observando muito mais do que aparentava, reconhecendo cada pequena mudança no amigo que conhecia há anos.
— Ainda dá tempo de fugir — murmurou, em tom baixo, quase casual.
Damian soltou um breve sopro, sem desviar o olhar.
— Eu esperei a vida inteira por isso.
Alessandro assentiu sorrindo e não disse mais nada, porque estava orgulhoso demais do homem que seu amigo tinha se tornado.
Do outro lado, Beatrice já não fazia qualquer esforço para esconder as lágrimas que insistiam em se acumular nos olhos, segurando o buquê com um cuidado quase exagerado, como se aquilo fosse o único elemento que ainda a mantinha minimamente composta.
— Eu não vou chorar… — sussurrou, mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa.
Mas a voz falhou e ela sabia que não havia a menor chance disso acontecer.
Maria e Margareth estavam sentadas na primeira fila, e, diferente de todos os outros convidados, não estavam apenas assistindo àquela cerimônia, estavam vivendo cada segundo com uma intensidade silenciosa, carregada de memória, de história e de tudo o que existia antes daquele momento.
Maria mantinha as mãos entrelaçadas sobre o colo, com o olhar fixo na entrada, enquanto um sorriso suave, quase orgulhoso, surgia em seus lábios.
— Ele encontrou… — murmurou, com a voz embargada.

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