“Família não é o que nasce pronta… é o que alguém decide construir, mesmo quando tudo parece impossível.”
Houve um tempo em que Beatrice acreditou que perder Sophia era inevitável… e que o futuro era apenas um espaço vazio onde a dor aprenderia a permanecer.
Mas, naquela manhã, ao vê-la correr em direção a um castelo cercado de luz e risos, ela entendeu que algumas histórias não terminam na dor… elas continuam.
Do outro lado do mundo, a vida também encontrava novos caminhos, não de forma abrupta ou caótica, mas com uma suavidade quase simbólica, como se cada passo dado por aqueles que ficaram estivesse, silenciosamente, alinhado a tudo o que havia sido vivido até ali.
Beatrice embarcou para a Disney acompanhada por Sophia, Bia e Aurora, carregando não apenas malas cheias e expectativas que pareciam grandes demais para caber dentro de qualquer bagagem, mas também uma leveza que havia demorado tempo demais para existir, como se cada movimento, cada sorriso e cada risada daquela viagem representassem uma conquista silenciosa sobre tudo o que um dia havia sido difícil demais de suportar.
Sophia falava sem parar, saltando de assunto em assunto com a energia incansável de quem não conhece limites quando está feliz, descrevendo castelos, princesas, vestidos e sonhos com uma empolgação tão genuína que tornava impossível não ser contaminado por ela, enquanto Beatrice a observava com um sorriso calmo, porém carregado de uma emoção muito mais profunda do que qualquer uma das meninas poderia compreender completamente.
Porque, enquanto Sophia corria alguns passos à frente assim que atravessaram os portões do parque, puxando Bia e Aurora pela mão com pressa, como se o mundo inteiro estivesse esperando apenas por elas, Beatrice não via apenas aquela cena leve e colorida que se desenrolava diante dos seus olhos, mas também aquilo que existia por trás dela, aquilo que ainda permanecia vivo na memória, mesmo depois de tudo.
Ela via duas versões da mesma menina.
Via o presente, vibrante, luminoso, cheio de vida. E via o passado… silencioso, frágil, dolorosamente incerto.
Lembrou do dia em que a viu pela primeira vez, ao lado de Elena e lembrou de como ficou impressionada com a força da cunhada. Como Elena conseguia ainda ficar de pé diante de uma cena tão dolorosa? Ver a sua irmã caçula conectada a tubos, respirando com a ajuda de aparelhos, com o futuro ainda incerto?
— TIAAAA! — a voz de Sophia atravessou aquele fluxo de pensamentos com a mesma intensidade com que, um dia, havia atravessado a dor, trazendo Beatrice de volta ao presente com um impacto imediato.
Ela piscou algumas vezes, afastando as lembranças que ainda ecoavam, e voltou o olhar para frente.
Sophia estava alguns metros adiante, pulando no mesmo lugar com uma animação que parecia inesgotável, apontando para uma montanha-russa ao fundo com os olhos brilhando de expectativa.
— A gente vai naquela! Agora! Você prometeu!
Beatrice soltou uma risada baixa, balançando levemente a cabeça enquanto caminhava até ela, deixando que o peso do passado se dissolvesse no calor do presente.
— Eu prometi… e eu sempre cumpro.
Sophia não esperou mais um segundo, segurando a mão dela com firmeza e puxando com pressa, como se cada segundo importasse, como se a felicidade não pudesse esperar.
Mas, antes de permitir ser arrastada completamente, Beatrice parou, se abaixou diante dela e levou a mão ao rosto da menina com um cuidado que não vinha apenas do carinho… mas da consciência de tudo o que já havia sido perdido… e tudo o que havia sido recuperado.
E a encarou de verdade. Como se estivesse tentando guardar aquele instante para sempre.
— Você merece o mundo, pequena Sophia… — murmurou, com a voz baixa, firme, carregada de uma emoção que não precisava ser explicada.
Sophia sorriu. E puxou a mão dela outra vez.

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