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Marcada pelo meu chefe Alfa romance Capítulo 13

Damon Thorn

A terra úmida sob minhas patas era um alívio. Cada passo era uma descarga de tensão, cada salto sobre as pedras, uma tentativa de esquecer. A madrugada envolvia a floresta num manto denso, e o ar cortava como lâmina, mas eu não diminuía o ritmo.

Aquela era a melhor hora para a minha fuga.

A floresta era o único lugar onde eu não precisava fingir. Onde o Alfa e o homem podiam se fundir sem precisar dar satisfações. Correr era o único jeito de lembrar que eu ainda era vivo. Que não era apenas o Alfa de todos. Era o filho de dois fantasmas que a floresta nunca esqueceu.

Os galhos riscavam o céu, e a lua cheia projetava minha sombra sobre a relva. Meus sentidos estavam aguçados, cada barulho, cada cheiro, cada vibração no solo. Era como se o mundo respirasse comigo.

Então...

O cheiro do sangue.

O som de um grito.

A neve.

O corpo dela.

Os olhos da minha mãe se encontrando com os meus por um segundo que durou para sempre.

Tentei frear, mas a lembrança me paralisou no meio da trilha. Minha respiração ofegante era tudo o que eu ouvia. O gosto do medo, da impotência, da dor.

Minha mãe morreu defendendo este território.

Foi emboscada por caçadores humanos quando tentava negociar uma trégua. Achou que eles queriam paz.

Mas eles só queriam saber o quanto podiam tirar de nós antes de nos eliminar.

Ela era forte. Digna.

E morreu sozinha na neve, tentando proteger um povo que ainda chorava por ela.

E eu, com apenas quinze anos, me tornei Alfa naquela noite.

Não por escolha.

Por vingança.

Eles me deixaram cedo demais.

E desde então, tudo caiu sobre meus ombros.

Sacudi a cabeça e corri mais rápido, como se pudesse escapar da minha própria mente. Mas não adiantava. As lembranças estavam dentro, não fora.

Voltei para o território da alcateia já no fim da noite. O céu começava a clarear quando meus pés humanos tocaram o chão novamente.

Atravessei o campo com passos firmes. Ainda suado, o corpo pulsando com o esforço. Entrei na casa grande e fui direto para o meu escritório, sem falar com ninguém.

O relatório me esperava.

Victor o havia deixado em cima da mesa, com uma única frase escrita à mão:

"Você vai gostar disso, Alfa."

Abri a pasta e li os primeiros trechos.

Zion Wallace. Passava uma imagem de advogado perfeito, quando, na verdade, era um homem por trás de uma rede de manipulação, contratos ilegais e ameaças veladas.

Era isso que ele era. Um parasita de terno.

As provas estavam ali. Nomes. Datas. Transações. Conversas gravadas.

Coisas que destruiriam a reputação dele num piscar de olhos — e, mais importante, dariam a Caroline a chance de respirar de novo.

Mas aquilo era mais que justiça.

Era simbólico.

Porque Zion era humano. E para mim, humanos sempre significaram destruição.

Eles mentem. Matam. Roubaram nossas terras por séculos e nos chamaram de monstros por tentarmos sobreviver nelas.

Tudo o que minha mãe tentou construir — uma ponte entre os dois mundos — foi queimado.

E eu nunca perdoei.

Mas por algum motivo, eu não sentia raiva de Caroline Hart.

Peguei o relatório, ainda com a camisa aberta, e subi as escadas até o andar superior. A noite havia voltado a cair, e as luzes externas banhavam os vidros da varanda.

Bati na porta do quarto dela com firmeza.

Silêncio.

"Hart." Minha voz foi baixa, mas firme.

Ouvi os passos do outro lado. A porta se abriu devagar. Ela usava um casaco por cima de um vestido leve, os olhos ainda marcados pelas últimas noites mal dormidas.

"Preciso falar com você."

"Agora?"

"Agora."

A leve hesitação nos olhos dela desapareceu quando viu minha expressão. Ela assentiu em silêncio e me seguiu.

Levei-a até o terraço da mansão. A lua estava alta, e o vento soprava gelado. Ela se encolheu por instinto, e eu ofereci meu paletó. Ela hesitou, depois aceitou.

Caroline folheou as primeiras páginas. As sobrancelhas se uniram. Os lábios tremeram.

"Isso é... real?"

"É. E está só começando."

Ela ergueu os olhos para mim, surpresa, com um brilho que misturava alívio e medo.

13. Beijo perigoso 1

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