Caroline Hart
Acordei sobressaltada.
Meus dedos apertavam o cobertor como se algo tivesse me assustado — mas não havia som, nem luz, nem movimento. O chalé estava mergulhado no mais silêncio.
Me levantei devagar, ainda desnorteada, tentando entender por que meu corpo estava em alerta.
Talvez tenha sido um sonho. Ou talvez…
Caminhei até a janela e abri a cortina com cuidado.
O frio da manhã ainda envolvia a floresta como um manto. A névoa era mais espessa que o normal, e por um segundo eu não vi nada. Então…
Meu coração parou.
Entre as árvores, a uns cinquenta metros de distância, havia uma silhueta.
Parada.
Observando.
Pisquei várias vezes, tentando ter certeza.
Era uma figura masculina. Alta. Ombros largos. O rosto escondido pela sombra e pela neblina.
Dei um passo para trás instintivamente.
Mas, assim que fiz isso… ele desapareceu.
"Não pode ser."
Pus um casaco por cima do pijama e saí do chalé sem pensar duas vezes, os pés afundando na grama molhada.
Caminhei até o ponto onde o vi. Nada. Nenhum sinal de pegadas. Nenhuma movimentação.
Eu estava ficando paranoica?
Virei para voltar e dei de cara com Victor.
"A senhorita não deveria estar sozinha por aqui tão cedo."
"Eu vi alguém."
"Impossível. Só há dois acessos ao território, e ambos estão vigiados. Talvez tenha sonhado."
Não. Eu sabia o que tinha visto.
Engoli em seco.
"Tem certeza?"
Ele assentiu, mas algo no olhar dele parecia… evasivo.
Voltei para o chalé, mas não consegui me concentrar em mais nada.
Naquela noite… o beijo… o olhar de Damon… o vulto na floresta…
Tudo parecia conectado.
Quando fui até a cozinha preparar o café, encontrei Damon já lá, de costas, tomando seu café em silêncio, como se estivesse esperando por mim.
"Bom dia."
Minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia.
Ele se virou devagar, os olhos me examinando com aquela intensidade que parecia que ia me despir.
"Você está pálida."
"Eu vi alguém na floresta."
Silêncio. Ele não pareceu surpreso.
"Talvez esteja vendo coisas. Ou talvez esteja começando a entender que esse lugar guarda mais segredos do que parece."
Franzi a testa.
"Sei o que vi." respirei fundo."
"E é por isso que… "a partir de hoje, você vai ficar aqui, na mansão."
Ergui as sobrancelhas.
"Eu não posso aceitar isso. Já estou abusando da sua boa vontade."
"A casa tem quinze quartos, Caroline." Cruzou os braços. "Escolha um. A segurança aqui é maior. E depois do que você viu na floresta hoje... não acho seguro você continuar sozinha no chalé."
Hesitei, os olhos baixando por um instante. Então concordei, eu realmente não estava me sentindo segura.
"Tá bom. Eu vou fazer o que preciso fazer."


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