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Marcada pelo meu chefe Alfa romance Capítulo 16

Caroline Hart

Abri o guarda-roupa, procurando por um casaco.

Me deparei com um novo — macio, escuro, perfeitamente dobrado.

Damon...

Só podia ser ele.

Suspirei. Eu não sabia o que ele pretendia ao me levar para fora, mas, de algum modo, a ideia de estar com ele longe da casa — sem paredes, sem regras — fazia meu estômago se revirar.

Vesti o casaco. O cheiro dele estava impregnado no tecido.

Meu celular vibrou em cima da cômoda.

Atendi no impulso.

"Carol! Você sumiu!" ele disse, com a voz carregada de preocupação. "Tá viva nesse fim de mundo?"

Sorri, aliviada por ouvir aquela voz familiar.

"Estou bem, Dan. O sinal aqui é péssimo, por isso não consegui ligar antes."

"Desde que soube do que o Zion fez, fiquei em alerta. Você sabe... você é minha filha, Carol. Mesmo não sendo de sangue."

Engoli em seco. Ele não precisava dizer aquilo. Eu sabia.

"Quando minha mãe morreu, só restou você," sussurrei. "E você sempre foi o meu pai. O único que conheci. Te amo, e darei noticias."

"Também te amo, Carol. E estou aqui. Sempre estive."

Fechei os olhos, tentando conter a emoção.

"Obrigada. Mas agora… eu preciso lidar com isso do meu jeito."

"Se precisar de mim, me liga. Nem que eu tenha que escalar uma montanha pra te encontrar."

Desliguei com o coração apertado.

Desci as escadas em silêncio, ajeitando o casaco.

Damon já me esperava perto da porta, encostado no batente. Seus olhos encontraram os meus assim que coloquei o pé no último degrau.

"Quem é Daniel?"

Parei. Franzi a testa.

"Como você...?"

"Você fala alto."

"Mentira. Eu sussurrei."

Ele apenas ergueu uma sobrancelha. “Eu escuto bem.”

Cruzei os braços. "Você é estranho."

"Eu sei."

Suspirei.

"Daniel é meu padrasto. Mas para mim… sempre foi pai. Depois que minha mãe morreu, ele foi tudo que restou."

Damon manteve os olhos em mim, mas não disse nada.

"Eu nem sei quem é meu pai biológico," acrescentei, com um riso sem humor. "Minha mãe nunca quis falar sobre isso. E, no fundo... eu desisti de perguntar."

"Talvez ele só não mereça ser encontrado."

"Talvez."

Um silêncio denso caiu entre nós.

"Vamos sair."

"Você vai me contar para onde estamos indo?"

"Não agora. Mas você vai entender quando chegarmos lá."

Seguimos em silêncio por uma trilha entre as árvores. As folhas secas estalavam sob nossos pés, e uma neblina fina cobria o chão. O silêncio dele era tenso, mas não assustador. Era… denso. Intenso.

“Você costuma fazer isso com todas as funcionárias?” perguntei, tentando quebrar o clima.

“Fazer o quê?”

“Cuidar. Proteger. Comprar casacos e preparar trilhas misteriosas.”

Ele arqueou uma sobrancelha. “Você não é como as outras, é um pouco menos insuportável.”

“Já ouvi isso antes.” Tentei rir, mas soou mais como um suspiro.

Parou de andar e se virou, me encarando.

“Hart, você está cavando.”

“Talvez.” Dei de ombros. “Mas eu estou no meio do nada, morando na casa de um chefe misterioso, que beija como se fosse me consumir viva e depois finge que nada aconteceu. Tenho o direito de cavar, não acha?”

Pouco depois, ele afastou alguns galhos, revelando um pequeno lago cristalino, cercado por pedras planas e uma mata densa que parecia esconder o mundo.

Era lindo.

Silencioso. Isolado. Quase mágico.

“Aqui...” ele começou, com a voz mais baixa. “Era onde eu vinha com minha mãe. Ela dizia que esse lugar me acalmava.”

"Ela parecia ser especial para você."

"Ela era tudo. E foi tirada de mim cedo demais."

Eu o observei em silêncio, notando pela primeira vez como os olhos dele, apesar de duros, carregavam dor.

Ele não era só um homem frio e controlador.

Ele era um homem que havia perdido. Que havia lutado. E que estava sobrevivendo, assim como eu.

“Você ainda vem aqui?” perguntei.

“Às vezes. Quando o mundo começa a pesar.”

Nos sentamos numa pedra, lado a lado. Por alguns minutos, apenas ouvimos o som da água se movendo lentamente com o vento.

"E por que me trouxe aqui?"

Então, um estalo veio da floresta.

Forte. Rápido. Seco.

Nós dois nos viramos ao mesmo tempo.

Outro som.

Galhos quebrando. Folhas se mexendo com pressa. Não era vento. Era movimento.

Damon se colocou em pé em um segundo, o corpo tenso, em posição de defesa. Os olhos varreram o entorno como se pudessem enxergar além da vegetação.

"Fica atrás de mim." Sua voz mudou de tom.

Mais firme. Mais... selvagem.

E foi ali, naquela respiração suspensa, que eu soube:

Aquele homem escondia mais do que deixava transparecer.

Muito mais.

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