Caroline Hart
Abri o guarda-roupa, procurando por um casaco.
Me deparei com um novo — macio, escuro, perfeitamente dobrado.
Damon...
Só podia ser ele.
Suspirei. Eu não sabia o que ele pretendia ao me levar para fora, mas, de algum modo, a ideia de estar com ele longe da casa — sem paredes, sem regras — fazia meu estômago se revirar.
Vesti o casaco. O cheiro dele estava impregnado no tecido.
Meu celular vibrou em cima da cômoda.
Atendi no impulso.
"Carol! Você sumiu!" ele disse, com a voz carregada de preocupação. "Tá viva nesse fim de mundo?"
Sorri, aliviada por ouvir aquela voz familiar.
"Estou bem, Dan. O sinal aqui é péssimo, por isso não consegui ligar antes."
"Desde que soube do que o Zion fez, fiquei em alerta. Você sabe... você é minha filha, Carol. Mesmo não sendo de sangue."
Engoli em seco. Ele não precisava dizer aquilo. Eu sabia.
"Quando minha mãe morreu, só restou você," sussurrei. "E você sempre foi o meu pai. O único que conheci. Te amo, e darei noticias."
"Também te amo, Carol. E estou aqui. Sempre estive."
Fechei os olhos, tentando conter a emoção.
"Obrigada. Mas agora… eu preciso lidar com isso do meu jeito."
"Se precisar de mim, me liga. Nem que eu tenha que escalar uma montanha pra te encontrar."
Desliguei com o coração apertado.
Desci as escadas em silêncio, ajeitando o casaco.
Damon já me esperava perto da porta, encostado no batente. Seus olhos encontraram os meus assim que coloquei o pé no último degrau.
"Quem é Daniel?"
Parei. Franzi a testa.
"Como você...?"
"Você fala alto."
"Mentira. Eu sussurrei."
Ele apenas ergueu uma sobrancelha. “Eu escuto bem.”
Cruzei os braços. "Você é estranho."
"Eu sei."
Suspirei.
"Daniel é meu padrasto. Mas para mim… sempre foi pai. Depois que minha mãe morreu, ele foi tudo que restou."
Damon manteve os olhos em mim, mas não disse nada.
"Eu nem sei quem é meu pai biológico," acrescentei, com um riso sem humor. "Minha mãe nunca quis falar sobre isso. E, no fundo... eu desisti de perguntar."
"Talvez ele só não mereça ser encontrado."
"Talvez."
Um silêncio denso caiu entre nós.
"Vamos sair."
"Você vai me contar para onde estamos indo?"
"Não agora. Mas você vai entender quando chegarmos lá."
Seguimos em silêncio por uma trilha entre as árvores. As folhas secas estalavam sob nossos pés, e uma neblina fina cobria o chão. O silêncio dele era tenso, mas não assustador. Era… denso. Intenso.
“Você costuma fazer isso com todas as funcionárias?” perguntei, tentando quebrar o clima.
“Fazer o quê?”
“Cuidar. Proteger. Comprar casacos e preparar trilhas misteriosas.”
Ele arqueou uma sobrancelha. “Você não é como as outras, é um pouco menos insuportável.”
“Já ouvi isso antes.” Tentei rir, mas soou mais como um suspiro.
Parou de andar e se virou, me encarando.
“Hart, você está cavando.”
“Talvez.” Dei de ombros. “Mas eu estou no meio do nada, morando na casa de um chefe misterioso, que beija como se fosse me consumir viva e depois finge que nada aconteceu. Tenho o direito de cavar, não acha?”



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Marcada pelo meu chefe Alfa