Damon Thorn
A floresta sussurrava.
Eu sabia que alguma merda não estava certa aqui.
"Maldição."
O cheiro no ar era inconfundível — ferro, lã molhada, sangue seco.
Cheiro de lobo. Mas não da minha alcateia.
Corrompido. Selvagem demais. Errado demais.
Caroline ainda admirava o lago, encantada, até que seus olhos se fixaram nos meus. Ela sentiu.
O lobo em mim estava em alerta.
“Damon?” ela perguntou, hesitante.
Levantei uma mão.
“Não se mexa,” murmurei.
E então, ouvimos.
Um galho se partindo. Não por acidente.
Me movi com velocidade, empurrando Caroline para trás de mim.
“Tem alguém nos seguindo.”
“Quem? Um animal?”
“Não sei.” Menti." Às vezes caçadores entram aqui."
Mas eu sabia.
Três presenças.
Pulsando como trovões abafados.
O cheiro era denso, familiar… e ainda assim, manchado. Como algo que já havia cruzado o limite da selvageria e não podia mais voltar.
Um rosnado veio da escuridão.
Ela agarrou minha camisa pelas costas.
Eu avancei um passo.
“Mostre-se.” Minha voz foi um comando.
Nada.
Só neblina.
Outro estalo. Mais perto.
E então, o silêncio.
Eles se foram.
Como fantasmas famintos.
Como se quisessem apenas dizer: "Estamos aqui. E estamos esperando."
A tensão na minha pele ainda vibrava. A transformação coçava por baixo da carne, arranhando minha disciplina.
Mas não podia me deixar levar. Não na frente dela. Ela ainda não sabia.
Segurei Caroline pela mão e a puxei com firmeza.
“Segure-se em mim.”
Corremos.
O frio cortava o rosto, os galhos pareciam garras tentando nos deter. Mas nada era mais urgente do que tirá-la dali. Levar Caroline para longe do perigo que eu mesmo trouxe pra perto.
Assim que chegamos à trilha, já próximos dos muros da propriedade, diminuímos o passo.
Ela estava ofegante, o rosto pálido, os olhos perdidos.
“Thorn… o que era aquilo?” Ela mal conseguia respirar. “Por favor, me diga!”
Minha mandíbula trincou. Olhei ao redor uma última vez. O rastro deles já havia sumido. Por enquanto.
“Eu não devia ter te trazido pra cá.” Minha voz saiu mais baixa do que pretendia. E cheia de raiva. De mim mesmo.
Ela me segurou pelo braço.
“Você está me assustando.”
“Bom. Talvez você devesse estar.”
Ela recuou meio passo. Mas não soltou.
“Thorn… quem são essas pessoas?”
“São lobos.”
Ela riu. Um som nervoso, frágil.
“Damon, não tem lobos nessa parte de Nova York. Eu pesquisei antes de vir.”
Me virei devagar. Encarei-a de verdade.
“Há, sim, Caroline. Muitos. Mais do que você consegue imaginar.”
A tensão entre nós era espessa como neblina da floresta.
“Você me assusta, Damon.”
“E ainda assim... continua aqui.”
Ela engoliu em seco. “Eu... agradeço por tudo que está fazendo e por ter me ajudado com meu ex-noivo, mas se continuar assim, vou ficar perdida.”
Aproximei-me mais. Minha mão foi até seu rosto.
“Sinto que já está perdida, Hart.”
Ela prendeu a respiração.
Eu podia sentir. O lobo em mim também.
“Eu não posso sentir isso por você,” ela sussurrou.
“Eu também não.”
Mas era tarde demais.
Antes que ela pudesse responder, a porta da mansão se abriu com um estrondo.
Victor.
Entrou ofegante, os olhos arregalados, segurando o celular na mão.
“Alfa…” ele sussurrou. “Você precisa ver isso. Agora.”
Nos afastamos de Caroline e seguimos até o escritório. Fechei as portas.
Victor virou o celular em minha direção.
Na tela, havia uma imagem congelada.
Uma gravação de câmera de segurança. Noturna.
Três figuras encapuzadas.
Na borda da floresta.
Do lado de dentro dos limites da propriedade.
“Eles invadiram,” Victor murmurou. “E não estavam só observando, Damon. Eles deixaram isso.”
Ele abriu a mão.
Dentro dela, um pequeno pedaço de pano. Encharcado de sangue.
Com uma palavra rabiscada em preto.
HUMANA

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