Caroline Hart
Esse dia seria especial.
O dia do meu casamento.
Me encarei no espelho pela décima vez, o véu se ajustava perfeitamente ao meu penteado, e aquela noite não poderia ser mais perfeita.
"Você está linda Hart." Ava falou."
"Está mesmo Carol. Nem acredito que vou casar a minha melhor amiga!"ela exclamou."
"E eu casando a minha irmã."
Meus cabelos castanhos e ondulados estavam meio presos, e a maquiagem leve realçava meus olhos verdes. Eu nunca tinha me visto tão linda assim.
"É melhor você não chorar. Se estragar essa maquiagem eu vou te bater." Maggie deu uma risada que enchia o ar."
"Eu não vou chorar. Ou pelo menos vou tentar."
A lua cheia brilhava acima das árvores como uma testemunha daquele dia.
Era noite de celebração, e tudo parecia mais vivo. O céu estava claro, e as nuvens pareciam ter sumido, deixando aquela noite ainda mais bonita.
Eu sentia como se, por uma noite, as dores do passado pudessem ser esquecidas. A floresta parecia respirar com a gente.
O chão coberto de musgo, o vento sussurrando entre as árvores, e a lua cheia no alto — gigantesca, prateada, como se observasse tudo com olhos antigos.
Os tambores começaram a soar em ritmo lento, e cada batida parecia acompanhar meu coração.
"Está na hora."Daiana sussurrou." Que bom que você chegou em nossas vidas Hart."
"Você parecia me odiar." eu sorri,"
"Eu odiava todo mundo."
Ela me deu um abraço forte, e então eu segui.
Engoli o seco. Era estranho saber que meu pai estava ali. Preso. Perto. Mas ele não me levaria ao altar.
Daniel não pôde vir. Mas ele estava participando do casamento por chamada de vídeo no celular nas mãos de Magie. Ele era minha única figura paterna presente.
Eu estava no meio das árvores, em silêncio, cercada por fêmeas da alcateia que me envolviam com galhos, flores e símbolos traçados à mão na pele com pigmentos naturais.
Segundo eles, isso era tradição em casamentos de Alfas.
Vestia o vestido que escolhi dias atrás: branco, com fenda lateral, ombro só, e o toque certo entre elegância e força.
Uma loba pronta para assumir seu lugar.
Elas me entregaram uma pulseira que representava proteção, fertilidade e coragem.
As mulheres abriram caminho entre os troncos. Os tambores aceleraram.
Eu dei o primeiro passo em direção ao altar natural: um círculo de pedra cercado por tochas, onde os mais antigos da matilha já aguardavam. Todos estavam ali humanos e lobos em suas formas humanas, reunidos sob a benção da lua.
E ele estava no centro.
Damon Thorn. O amor da minha vida.
Sem terno. Sem gravata. Apenas uma túnica escura aberta no peito, o colar de Alfa pendendo sobre a pele marcada por cicatrizes antigas e suas tatuagens.
Meu Alfa.
A cada passo, os lobos uivavam em saudação. Não como uma festa barulhenta era reverência. Reconhecimento.
Quando alcancei o altar, o xamã da matilha estendeu os braços e pediu silêncio.
“A lua reconhece esta união. A alcateia reconhece sua nova Luna.”
Toquei o centro do meu peito com os dedos e curvei levemente a cabeça. Era assim que as Lunas da linhagem faziam: ofereciam o coração à matilha antes de oferecê-lo ao Alfa.
Damon estendeu a mão. Eu coloquei a minha sobre a dele.
“Diante da lua, você promete lealdade a sua Luna?” o xamã perguntou.
“Prometo.” Damon falou primeiro, com voz grave.

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