Caroline Hart
O chão abaixo de mim desapareceu.
Era a sensação de como se aquilo fosse irreal. Como se eu não estivesse ali e tudo fosse um cruel pesadelo.
"Damon…"eu segurei a barra da sua roupa na tentativa de não me desequilibrar."
Meu coração parou.
Não de forma figurada — parou mesmo.
Quando vi o berço vazio e a babá caída no chão, um silêncio mortal tomou conta do meu corpo. Um silêncio tão profundo, que por alguns segundos não ouvi minha própria respiração.
Perder o filho. No dia do próprio casamento.
“Quem fez isso?” ele perguntou, os olhos já brilhando com fúria primal. “Quem teve a audácia de tirar meu filho daqui?!”
Corri até o berço vazio, as mãos tremendo, puxando os panos como se, num milagre absurdo, Gael tivesse rolado pra debaixo deles.
Mas ele não estava lá.
“Ela tá viva,” Damon disse sobre a babá, checando os sinais dela. “Dopada. Mas viva.”
“Então alguém entrou aqui. Aqui dentro.” minha voz falhava a cada sílaba.
Damon se ergueu, com os punhos cerrados e os músculos do pescoço esticados como cordas prestes a arrebentar.
“O quarto dele fica DENTRO da nossa casa. Com guardas lobos. COMO alguém conseguiu passar por tudo isso?”
Me aproximei de novo do berço, sentindo uma raiva que nunca imaginei. Era uma raiva antiga, ancestral.
A fúria da loba que perdeu a cria.
“Foi ela?” perguntei. “Foi Elora?”
Damon apertou os olhos.
“Elora não morreu... mas ela está em uma cela, enfraquecida. Não teria conseguido. E eu sentiria o cheiro dela. Isso aqui... é diferente.”
“Alguém de dentro.” minha voz saiu entre os dentes.
“Alguém que conhece o lugar. Que já esteve aqui. Que sabe as rotas. Os guardas. Os feitiços.”
A raiva crescia dentro dele como uma bomba prestes a explodir. E dentro de mim... havia algo mais.
Culpa.
Porque parte de mim achava que deveria ter sentido isso.
Como mãe. Como loba. Como Luna.
Damon bateu com força na parede, o soco deixando marcas profundas na madeira.
“GAEL!” ele gritou. Era o rugido de um pai que estava prestes a perder o controle.
Corri até ele, agarrei sua camisa e gritei de volta: “A gente vai achar ele! Ouviu?! Ele precisa da gente! Você é o Alfa, Damon. VOCÊ É O PAI!”
Ele me encarou com os olhos ardendo.
Victor apareceu na porta, ofegante.
“O que houve?!”
“Nosso filho foi sequestrado,” Damon disse, a voz carregada de um poder que fez Victor empalidecer. “A babá foi dopada. O quarto invadido. A alcateia... violada.”
Victor prendeu a respiração. “Meu Deus...”
“Chame todos. Guerreiros. Rastreadores. Bruxos de confiança. NÃO POUPE NINGUÉM.”
“Sim, Alfa.”
“E quero ver as câmeras. Todas. Agora.”
Victor desapareceu num segundo.
Ava chegou logo depois, descalça, o vestido da cerimônia amassado e os olhos arregalados.
“Foi a Elora?” ela perguntou.
“Talvez,” Damon disse. “Mas a gente não pode agir só com suposições.”
“Alguém entrou. E fez isso debaixo do nosso nariz,” eu disse, a voz rouca. “No nosso casamento.”
“E alguém levou o meu filho.”
Damon já não estava mais se controlando.
Os olhos dele estavam completamente dourados. A pele tremia com a iminência da transformação.
“Eu vou matar quem fez isso,” ele rosnou. “Mas antes, eu vou arrancar cada resposta dessa criatura.”
Ava tentava ligar o tablet com as câmeras.
“Tem algo aqui,” ela disse. “Quarto dos fundos... movimento estranho por volta das duas da manhã.”
Damon olhou.
A imagem surgiu.
Alguém andando com um embrulho no colo.
Lenta. Segura.
Ava aumentou o zoom.
Os olhos de Damon se estreitaram.
“Selena.”
“O quê?” minha voz quase não saiu.
“Filha de Elora,” ele disse com ódio. “Ela foi vista na cerimônia, disfarçada. Ela esteve aqui antes. Ela conhece o interior da casa. Ela tinha acesso.”
“Como ela passou pelas proteções? Pelos guardas?” Ava perguntou.
“Alguém... ajudou.”
O gelo se espalhou pelo meu corpo.
Estávamos sendo traídos por dentro.

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