Damon Thorn
O telefone discava para Hart pela quarta vez.
E ela continuava sem atender.
"Atende, Caroline…" murmurei, andando de um lado para o outro no meu escritório.
Liguei de novo.
Nada.
"MERDA!" esmurrei a mesa, sentindo os olhos de Victor me seguirem do outro lado da sala.
"Ela sumiu?" ele perguntou, a voz baixa, cautelosa.
"Ela nunca me avisa quando vai sair. Eu odeio isso." Meu tom saiu mais agressivo do que eu queria. Mas era verdade. Sempre impulsiva. Sempre querendo mostrar que é livre. Que não precisa de ninguém.
Mas o problema… é que ela é minha.
E o meu lobo já havia escolhido.
"Calma, vai ver ela só está ocupada."
"A intuição de lobo nunca falha, Victor."
Na quinta ligação, a secretária eletrônica atendeu. De novo.
Minha mandíbula travou.
"Você devia ter contado sobre a bruxa" murmurei entre os dentes. "A Liana avisou. Disse que Pietra estava de volta. Que queria vingança. Que era perigosa. E mesmo assim… eu deixei Hart sozinha."
Victor cruzou os braços.
"Você acha que foi ela?"
"Eu não sei. Mas o lobo… ele não para. Está gritando por dentro. Como se estivesse... uivando de dor."
Peguei o celular. Disquei de novo.
Nada.
"Caroline, me liga. Agora."
E foi quando ele vibrou.
Magie.
"Fala."
"Damon, ela não apareceu. Disse que ia me encontrar no restaurante… e sumiu. Ela nunca atrasa assim. Eu tô começando a entrar em pânico."
Meu coração parou por um segundo.
"Você tem certeza?"
"Eu esperei por mais de uma hora. Liguei. Mandei mensagem. Nada. Eu fui até o restaurante e a porta estava fechada. Mas tinha sinal de que alguém esteve lá. Damon… eu tô com um pressentimento horrível."
Fechei os olhos.
O lobo rugiu dentro de mim.
"Eu vou atrás dela agora."
"Você acha que foi a bruxa?"
"Eu acho que ela cometeu o erro de achar que podia resolver isso sozinha."
Desliguei.
"Victor. No carro. Agora."
A estrada para Nova York nunca pareceu tão longa. A cidade brilhava com suas luzes artificiais… mas tudo em mim estava escuro.
"Você tá sentindo isso também, né?" perguntei a Victor.
"Sim. Como se tudo tivesse parado. Como se algo tivesse morrido."
Meu lobo estava inquieto. Ele farejava o medo no ar, como se sentisse o eco do momento exato em que ela foi levada.
Quando estacionei em frente ao restaurante, não esperei. Saltei do carro correndo.
As luzes estavam apagadas.
O letreiro ainda brilhava na fachada. Mas lá dentro...
Estava morto.
Bati com força.
"Caroline?!"
Nada.
"CAROLINE!"
Victor me alcançou e juntos forçamos a porta.
Ela cedeu.
Silêncio total.
Fui direto para a cozinha.
Estava tudo em ordem demais.
E foi aí que eu senti.
O cheiro no ar.
Não era só o perfume dela.
Era magia.
Velha. Densa. Suja.
"Magie!" chamei, ouvindo passos rápidos.
Ela apareceu pela porta lateral, os olhos arregalados.
"Damon… ela não tá aqui. Eu olhei tudo. E encontrei o celular dela no chão, perto da porta dos fundos."

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