Damon Thorn
Ela disse que estava apaixonada por mim.
Ou algo próximo disso.
Eu devia ter recuado. Devia ter dito que ela estava em choque. Que era adrenalina, confusão, excesso de emoção ou medo.j
Mas eu não consegui dizer porra nenhuma.
Apenas fiquei parado ali, com as palavras dela ressoando dentro de mim como um uivo preso. Como uma verdade que o meu lobo já sabia... mas que o homem em mim não estava pronto pra ouvir.
Ela era tudo que eu devia evitar: pequena, frágil, humana.
Mas era tão forte quanto qualquer fêmea que eu já conheci.
E mais perigosa do que qualquer inimigo que eu já enfrentei.
Ela não fugiu.
Ela não me viu em forma de lobo e correu — como eu esperava, como eu até desejei, numa parte covarde do meu instinto.
Eu desejei que ela fugisse, porque, no fundo, não sei se sou capaz de dar o que ela merece.
Mas ela ficou.
E agora... me olhava como se ainda fosse possível existir “nós”.
Eu fechei os olhos, respirei fundo.
"Por que você me mostrou?"ela me encarou."
A pergunta saiu antes que eu pudesse conter.
Ela franziu o cenho. "Mostrou o quê?"
"Tudo isso." Minha voz saiu baixa, carregada. "A floresta. O lobo. A verdade. Como sabe se poderia confiar em mim?"
"Porque ficar perto de você me enlouquece…" — minha voz falhou por um segundo… "mas ficar longe de você me enlouquece mais ainda.”
Ela me olhou. Aqueles olhos castanhos, firmes, cheios de perguntas que eu ainda não sabia responder.
"Você confiou em mim," ela disse. "Por quê?"
A pergunta me atravessou.
Talvez porque, pela primeira vez desde que fui traído por aqueles que mais amei, meu lobo sentiu paz ao lado de alguém, e ele escolheu logo alguém de espécie diferente.
Talvez porque o silêncio dela falava mais do que qualquer juramento.
Ou talvez porque… eu só não aguentava mais carregar tudo sozinho.
"Porque… eu senti que você é diferente, Hart."
Ela arqueou uma sobrancelha. "Diferente como?"
"Você olha pra mim e não vê só o monstro que eu vejo. Mesmo após tudo."
"Talvez porque eu já vi monstros de terno em Nova York," ela murmurou, com um meio sorriso cansado. "E nenhum deles teve coragem de me contar a verdade, Damon."
Dei um passo, me aproximando.
Ela não recuou.
Estávamos frente a frente de novo. Mas agora... nada mais entre nós. Nenhum disfarce. Nenhum segredo.
Só o que restava.
"Eu devia te afastar," sussurrei. "Mas a ideia de você ir embora... me destroça."
Ela mordeu o lábio.
"Então não me mande embora."
O silêncio voltou, denso, quase quente.
E pela primeira vez desde que tudo começou, eu a puxei para perto — não por impulso. Não por instinto. Mas por necessidade.
Meus braços ao redor dela, o corpo dela no meu.
Ela encaixava. Como se o universo e o destino tivessem planejado isso e só agora estivesse aliviado por finalmente ter dado certo.
Mas a paz não dura para nós por muito tempo.
Um estalo soou na mata, distante, e meus sentidos se aguçaram de imediato.

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