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Marcada pelo meu chefe Alfa romance Capítulo 28

Caroline Hart

Eu não conseguia me mover.

Minhas mãos estavam no chão frio da floresta, e meus joelhos ainda afundavam na terra molhada, mas minha mente... minha mente parecia flutuar fora do meu corpo.

Damon Thorn tinha se transformado em um lobo.

Literalmente. Diante dos meus olhos.

Não em metáfora. Não em metáforas ou devaneios de dor.

Ele. Mudou. De. Forma.

E, mesmo assim, eu ainda o reconhecia.

Aquela criatura enorme, escura, de olhos dourados, me encarava com algo que não era fome. Nem selvageria.

Era cuidado. Não era igual ao lobo que me atacou, era completamente diferente.

Era ele.

Meus dedos se fecharam sobre a terra. Eu tremia. Não por medo, exatamente.

Mas por algo muito mais assustador: a incerteza.

Como alguém lidava com isso? Como alguém processava a ideia de que o homem por quem se sentia atraída, o homem que a beijou como se ela fosse seu ar, seu fogo, sua ruína... era uma criatura saída de uma maldita lenda?

O lobo não se mexeu.

Ele só me observava.

Um passo.

Depois outro.

Eu pensei em recuar. Meus instintos gritavam que qualquer movimento errado poderia desencadear uma reação — que talvez ele ainda estivesse no limite entre o homem e a fera.

Mas não recuei.

E então, ele parou.

Ficamos ali. Silêncio. Vento. Corações batendo alto demais.

E eu fiz a única coisa que me parecia possível.

Sussurrei:

“Damon...”

O lobo abaixou a cabeça.

Não em rendição.

Em reconhecimento.

Um nó subiu pela minha garganta.

Aquele era ele.

Aquele era o homem que me protegeu. Que me salvou. Que se afastava por medo de me ferir.

Então ele deu um passo para trás.

E outro.

E ali, diante de mim, começou a mudar.

De novo.

A dor parecia rasgar o ar. Eu ouvi os ossos se ajustando, a pele se reformatando, os músculos tremendo.

Eu fechei os olhos por um instante, o estômago revirando com sons que desafiavam toda lógica.

E quando abri, ele estava lá.

Ofegante.

Nu.

De joelhos no meio da clareira, suado, os braços apoiados no chão, os ombros largos tremendo como se carregassem o mundo inteiro.

Damon Thorn.

Humano de novo.

Os olhos dourados haviam desaparecido. Mas havia algo neles que nunca mais seria o mesmo.

Ele não falou nada.

Nem eu.

Não naquele primeiro momento.

Então ele se levantou devagar, evitando meu olhar.

A respiração dele ainda era pesada, como se o próprio ar doesse.

Mas a dor no rosto dele... eu vi. Claramente.

Como se cada palavra minha fosse uma mordida na carne.

Eu continuei.

“Eu tentei te entender. Eu tentei aceitar que você era só fechado, só estranho. Mas você é... isso.”

A palavra morreu na minha língua. O “isso” que eu disse parecia errado.

Ele desviou o olhar.

“Você não precisa aceitar. Só precisa saber que nunca quis te machucar. Agora está livre para ir, se quiser.”

Meu peito doía.

Ele se virou de costas catando as suas roupas para sair.

E, por um segundo, eu lembrei da forma como ele me olhou na cozinha. Do jeito como ele segurou minha cintura na floresta. Como me defendeu. Como me amou com o corpo inteiro.

Ele era aquilo.

Mas também era o homem que ficou acordado me observando dormir. Que me abraçou como se eu fosse a última coisa que o mundo podia tirar dele. Que reuniu provas contra o meu ex mentiroso e me protegeu.

Mesmo sendo um lobo, ele nunca cogitou em me machucar, diferente de Zion.

Respirei fundo.

“Isso muda tudo, Damon,” murmurei. “Porque, agora que eu sei o que você é… eu também sei o que eu sinto.”

Ele virou devagar, ainda com a camisa pendurada na mão.

Os olhos presos nos meus.

“E o que você sente Hart?”A pergunta foi um sussurro. Um pedido.

“Que já é tarde demais,” respondi. “Porque eu já estou apaixonada por você.”

A floresta pareceu segurar o fôlego.

E quando ele deu um passo em minha direção, eu não recuei.

Eu estava ali. De pé. Na frente do lobo.

E, mesmo sem entender como…

Eu já era dele, mesmo que parte de mim, ainda quisesse fugir.

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