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Marcada pelo meu chefe Alfa romance Capítulo 30

Caroline Hart

O lobo corria atrás de mim.

As árvores pareciam fechar o caminho, e eu mal conseguia respirar. Cada passo era mais pesado que o anterior, como se o chão me puxasse para baixo. Meus pulmões queimavam. Meu corpo implorava por descanso, mas o pânico era mais forte.

Eu gritava por ajuda, mas o som se perdia entre os uivos ao longe.

O lobo era enorme. Escuro. Seus olhos eram poços de sombra. Não havia dúvida no que ele queria. Ele não estava caçando. Estava... julgando. Como se eu tivesse invadido um lugar que não me pertencia.

Minhas pernas falharam. Escorreguei em uma ribanceira, e a única coisa que me impediu de cair foi a blusa, presa por um galho retorcido.

Eu fiquei ali, pendurada, o coração batendo feito tambor.

E ele veio.

Devagar. Feroz.

Os olhos fixos nos meus.

Ele iria me matar.

Até que...

Acordei num sobressalto.

O quarto estava escuro, mas o suor escorria pelas minhas costas como se eu ainda estivesse naquela floresta. O som do meu coração era alto demais. Meus pulmões ainda procuravam ar.

Tremendo, levei a mão ao peito. Estava doendo.

Foi só um sonho, eu disse a mim mesma. Só um sonho.

Mas a sensação ainda não tinha passado.

E havia algo no ar... algo errado.

"Porra." respirei fundo me levantando da cama."

Eu não conseguia dormir. Estava sendo assombrada por tudo que eu vi.

A madeira fria do piso sob meus pés só aumentava o arrepio que subia pelas minhas pernas. A noite lá fora parecia espessa, densa, pesada. Eu podia ouvir o som distante da floresta — e ele me pareceu diferente desta vez.

Mais vivo.

Mais... atento.

Caminhei até a janela e afastei a cortina com cuidado. O jardim estava escuro, mas a luz da varanda ainda iluminava parte da grama. Nada ali. Nenhum movimento.

Mas meu estômago revirou quando me virei para o quarto.

Pegadas.

Pegadas escuras, úmidas, atravessavam o chão do quarto — indo da janela até a lateral da minha cama.

Três. Quatro passos.

Não havia sinal de porta arrombada. Nenhum som que eu tivesse escutado. Um nó se formou na minha garganta.

Me aproximei e ajoelhei devagar, tocando o chão com a ponta dos dedos. Terra. Lama. Real.

Minhas mãos começaram a tremer.

Aquilo não era imaginação.

Não era parte do sonho.

Alguém — ou alguma coisa — esteve aqui.

Enquanto eu dormia.

Corri pelo corredor escuro até o quarto de Damon, batendo à porta com mais força do que pretendia.

“Damon!” Minha voz tremeu. “Damon, abre, por favor!”

A porta se abriu segundos depois. Ele estava de calça e camisa aberta, os olhos baixos, sonolentos, mas imediatamente despertos ao me ver.

“O que faz acordada Hart?” ele respondeu em surpresa."

“Tem... tem algo errado,” murmurei. “Eu... acho que alguém esteve no meu quarto. Eu senti. Eu acordei... e eu juro que vi.”

Ele segurou meus ombros.

“Você teve um pesadelo. É normal, depois do que viu. Eu não devia ter te contado nada disso.”

“Não foi só isso!” insisti. “Eu senti. Eu sei que teve alguém ali!”

“Você está em estado de alerta. Seu cérebro está tentando entender esse novo mundo. Cada sombra parece um monstro agora.”

“E não é?” rebati, sentindo o gosto de frustração na boca. “Você me mostrou que monstros existem, Damon. E agora quer me convencer que eu estou louca?”

Ele fechou os olhos por um segundo. Respirou fundo.

“Não foi isso que eu disse.”

“Mas foi o que pareceu.”

Ficamos nos encarando no silêncio do corredor. A tensão pulsava como eletricidade entre nós.

Então ele falou, com a voz mais baixa:

“Fica aqui essa noite. Comigo.”

O nome girava na minha cabeça como uma prece e uma maldição.

Virei o rosto devagar. Ele estava de olhos abertos, virado para o teto também.

A mesma tensão estava nele.

E, mesmo sem me olhar, ele disse, com a voz rouca:

“Também não consigo dormir Hart.”

Eu virei devagar para encará-lo. Nossos olhos se encontraram no escuro. Havia algo nos olhos dele… algo selvagem, mas também contido. Dolorido.

“Por quê?” perguntei, quase sem som. “É por mim?”

Ele não respondeu de imediato. Apenas ficou me olhando. Como se estivesse travando uma guerra dentro do próprio peito.

Então ele respondeu, baixo:

“É porque você está aqui.”

Meu corpo reagiu antes da mente. Um arrepio subiu pela minha nuca, escorreu pela espinha. O ar entre nós ficou pesado.

“Damon…”

Ele se aproximou um pouco. Só um pouco. Mas foi o suficiente para o mundo parecer menor.

Eu poderia recuar. Dizer que era errado. Que era confuso. Mas não recuei.

Porque quando ele encostou a mão na minha cintura, quando seus olhos buscaram os meus como quem pedia permissão e perdão ao mesmo tempo...

Eu já estava perdida.

E então ele me beijou.

Devagar, no início.

Como se testasse se eu ainda era real.

Depois mais firme, mais certo, mais urgente.

Minha mão subiu até o peito dele, sentindo o calor, o músculo, o tremor contido.

Eu correspondi.

Não porque era certo.

Porque era inevitável.

Porque ele era minha fraqueza.

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