Caroline Hart
A floresta tinha um cheiro diferente naquela manhã.
Mais forte. Mais... vivo.
Talvez fosse a ideia de estar entrando no território deles. O território dele.
Os lobos.
Eu não sabia ao certo se deveria fazer isso.
Eu seguia Damon em silêncio, observando cada detalhe à minha volta. As árvores pareciam maiores. As sombras, mais densas. O chão sob meus pés era úmido, mas firme, e cada ruído no mato me fazia virar o rosto com um leve sobressalto.
Ele não dizia nada. Caminhava à frente com passos seguros, o corpo relaxado, mas alerta.
Como se fizesse parte da floresta.
Como se ele fosse a floresta.
“Você me trouxe pra um lugar onde vivem outros como você?” perguntei, baixinho.
Ele apenas assentiu, sem olhar para trás.
“E se eles não gostarem da minha presença?”
“Eles não precisam gostar.” A voz dele saiu firme. Quase fria. “Eles só precisam respeitar.”
Não era reconfortante, exatamente. Mas funcionava como um aviso.
Depois de alguns minutos, a mata se abriu num pequeno platô. Lá embaixo, entre as árvores mais grossas, havia estruturas rústicas — como casas de madeira perfeitamente integradas à floresta.
Movimento. Vozes. Passos.
E mais... presenças.
Eu senti antes de ver.
Lobos.
Não transformados — não naquele momento — mas eu sabia.
Era como se meu corpo soubesse.
Uma jovem passou ao longe. Usava roupas simples, o cabelo preso alto, os olhos fixos em mim por tempo demais. Ela não sorriu. Não desviou. Só me encarou, avaliando.
Mais adiante, dois homens conversavam próximo a uma espécie de círculo de pedra. Pararam quando nos viram. Um deles falou algo baixo. O outro respondeu sem sorrir.
Eu não entendi. Mas entendi.
Eles sabiam que eu era humana. Eles podiam sentir. E sabiam que Damon me trouxe.
Mas ele não me apresentou.
Não disse quem eu era.
Nem por que estava ali.
E eu agradeci por isso silenciosamente.
Porque naquele instante, qualquer rótulo teria sido uma sentença.
"Esse é o coração da alcateia," ele disse, finalmente. "Onde tudo começa. Onde tudo termina."
Eu tentei parecer calma, mas era impossível ignorar os olhares laterais. As posturas rígidas. A tensão no ar.
"Você viveu aqui?"



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