Caroline Hart
O silêncio entre nós enquanto atravessávamos a floresta era opressor, o vento gélido cortando a tarde que caía. Cada passo que dávamos era mais pesado que o anterior, mas eu ainda sentia o peso das palavras não ditas, as lembranças das lobas e o olhar delas.
Eu não era uma delas. Eu sabia disso, mas... o que isso significava para mim? Como seria viver com essa diferença entre nós? Eu me sentia… frágil.
Damon estava ao meu lado, com aquele passo firme de sempre, mas ele percebeu minha quietude. Ele olhou de relance para mim, como se tentasse entender o que estava passando pela minha cabeça.
Ele não aguentou mais o silêncio.
“Você está quieta. O que aconteceu?”
Eu hesitei, mas sabia que ele queria uma resposta. Eu podia tentar escapar, ignorar o que sentia, mas… não era assim que as coisas funcionavam entre nós. Ele merecia uma explicação, então respirei fundo.
“Eu estava pensando sobre o que algumas das lobas disseram,” murmurei, a voz baixa. “Eu não sou uma de vocês. Nunca serei. E você não me deixa esquecer isso.”
Damon parou de andar, me fazendo parar com ele. Ele me olhou com aqueles olhos azuis, tão profundos que pareciam me ver mais do que eu queria. Mas ele não falou nada. Ele estava me ouvindo, e isso parecia mais difícil do que qualquer discussão.
“Eu sei que você me trouxe até aqui, me mostrou sua alcateia, mas as palavras delas… estavam cheias de julgamento. Elas me veem como uma intrusa. Eu me sinto... pequena. Frágil.”
Damon ficou em silêncio por um tempo, o vento suave e frio fazendo os galhos das árvores se mexerem levemente. Ele parecia ponderar cada palavra. Então, ele falou com a voz grave e calma, mas eu sentia a tensão.
“Caroline, elas falam, mas não sabem de tudo. Não sabem o que está acontecendo aqui.” Ele fez uma pausa. “Eu sou o Alfa aqui. Eu sou responsável por todos eles. E, sim, você não faz parte desse mundo... ainda. Mas eu vou te proteger.”
“Proteger?” A palavra me saiu quase como uma risada amarga. “Você me mantém à parte, Damon. Você me esconde, me trata como se fosse uma coisa, mas nunca como alguém que você pode... de verdade.”
Ele parou e me encarou. O silêncio entre nós ficou pesado, e eu quase senti a distância entre nós crescer, mais ainda do que já estava.
“Eu não sou perfeito, Caroline,” ele começou, a voz rouca. “Eu me afasto porque o que sou... é perigoso para você. Não é sobre você ser frágil. Eu tenho medo do que o meu lobo pode fazer.”
“Eu não pedi para ser parte disso.” Eu disse com a voz mais suave. “Mas você não pode me manter à margem. Eu preciso saber o que isso significa para mim, Damon. O que você quer de mim? O que eu sou para você?”


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