Damon Thorn
A luz que entra na cortina do escritório é o suficiente para me incomodar.
Abro a porta do escritório, e subo em direção ao quarto de Hart.
A xícara de café sobre a bancada, a camisa dela pendurada na cadeira, o bilhete breve deixado ao lado da fruteira. Tudo estava no lugar… menos ela.
"Volto logo. Preciso respirar um pouco."
Curto. Seco.
E ainda assim, mais doloroso do que qualquer discussão.
Meus passos ecoaram pela sala, enquanto eu andava de um lado para o outro. Algo de errado havia.
Ela estava estranha desde cedo. Fria.
Me esquivou como se eu fosse um estranho.
Será que ela…?
Minha mandíbula travou.
Ela ouviu.
Eu tinha certeza disso.
A minha conversa com Victor.
As palavras que nunca foram pra ela, mas que agora me assombravam.
Eu havia quase dito que não a amava, que amor era uma fraqueza, e logo após a noite intensa que tivemos.
Fechei os olhos por um segundo, amaldiçoando minha própria boca.
"Puta merda."
Era mentira. Ou uma meia-verdade.
Uma fraqueza disfarçada de força.
Caroline Hart me desarmava.
E isso me deixava vulnerável.
O que, para um Alfa, era sinônimo de perigo.
Mas ela não entenderia isso. Como poderia?
Puxei o celular e disquei para Victor.
“Rastreie o sinal do celular de Caroline.”
“Senhor? Está tudo bem?”
“Ela saiu sozinha. E tem algo errado. Sinto isso.”
"Entendido."
Enquanto esperava, caminhei até a estufa. O cheiro de terra e folhas cortadas ainda era recente, mas havia outra coisa. Algo fora do lugar.
Me abaixei.
Lá estava de novo.
O símbolo. Cravado na terra como uma ameaça.
O mesmo que vi anos atrás, quando meu primo tentou tomar tudo o que era meu.
Eric.
“Filho da puta...”
O celular vibrou no bolso.
Victor.
“Ela foi vista na vila por um dos nossos, meu Alfa. Entrou no bar. Está lá há uns 20 minutos.”
Meu sangue gelou e ferveu ao mesmo tempo.
O bar.
O mesmo lugar onde a beijei pela primeira vez. Onde ela riu, ainda tímida, antes do mundo desabar.
Agora ela estava lá... e algo me dizia que não estava sozinha.
Esse desgraçado não estava em pleno juízo, ele queria vingança, guerra. Mas ele quem começou tudo isso.
Entrei em uma das minhas caminhonetes sem pensar duas vezes.
O motor rugiu como um aviso.
Eu não sabia o que encontraria naquela porta.
Mas meu instinto já havia decidido.
Se Eric a tocou…
Se ele ousou se aproximar dela mais uma vez...
Eu não vou deixar pedra sobre pedra.
Minha mão bateu no volante, com força.
"Merda... eu a marquei."
A frase ecoou dentro de mim.


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