Caroline Hart
O silêncio dentro do carro doía mais do que qualquer grito.
Damon segurava o volante como se ele pudesse salvá-lo de si mesmo. O maxilar travado. Os olhos totalmente fixos na estrada.
“Você não vai me contar o que foi aquilo no bar?”
Minha voz saiu seca, e a fúria contida nela era a única coisa me mantendo inteira.
“Já viu o suficiente, Hart.”
Ele nem olhou para mim. “Eu te avisei para ficar longe dele.”
“Você me culpando de novo? Aquele homem apareceu. Eu não fui atrás.”
“Você saiu da casa. Ignorou tudo que eu disse. E foi direto para um maldito problema! Ele quer te usar para chegar até mim, não entende?”
“Porque ele gostaria de me usar? Eu não sou anda para você. Você me tratou como se eu fosse só uma funcionária! Como se a noite passada não tivesse significado nada.”
Silêncio.
“Você não obedeceu,” ele repetiu.
“Eu não sou uma loba da sua alcateia. Não tenho que obedecer você.”
Ele bateu no volante com força. “Você não entende o que ele é. Do que ele é capaz.”
“Não, eu não entendo, Damon. Porque você nunca me conta nada. Só manda, ordena, esconde. Como se eu não tivesse o direito de saber.”
Ele não respondeu.
“Mas agora eu sei.” Respirei fundo. “Eu ouvi você. No escritório.”
A tensão no ar ficou densa.
“Você dizendo que não sente nada. Que me marcar foi só instinto. Que sentimento não torna um Alfa mais forte... só o enfraquece.”
“Hart...”
“Não.” Minha voz saiu firme, mesmo com a garganta apertada. “Você nunca vai admitir que sente algo por mim. Porque isso te assusta mais do que qualquer guerra, e talvez você não sinta nada mesmo, eu sou uma idiota..”
Ele não disse nada. Mas algo no jeito que ele apertou o volante me dizia que aquilo o atingiu.
“Eu sei o que ouvi,” continuei. “E eu devia ter aprendido com o Zion. Amor, para mim, sempre acaba em dor. E eu recebi uma mensagem ameaçadora."
Damon puxou o carro para o acostamento e freou com força. O carro parou. A floresta ao redor parecia prender a respiração com a gente. Eu me assustei e me segurei com força no banco.
Ele virou o rosto devagar, me encarando.
“Eric não chegou perto de você por acaso,” ele disse, a voz mais baixa. “Essa mensagem que você recebeu... tem dedo dele.”
“Foi ele quem mandou essa... aquele bilhete?” eu sussurrei."
“Provavelmente. Ele adora brincar com medo. E sabe como me atingir.”
“Foi ele que te traiu, não foi? Com a sua antiga companheira.”
A pergunta ficou no ar.
Damon demorou alguns segundos antes de responder.
“Sim.”
O som da palavra foi um soco seco no ar. “Ela escolheu ele. E juntos... tentaram me derrubar. Tentar roubar o que era meu.”
Meu coração apertou.
“E mesmo assim você poupou a vida dele?”
“Eu era Alfa. Não queria matar alguém do meu próprio sangue... alguém que cresceu como meu irmão. Meu tio, pai dele, ainda estava vivo, e eu escolhi poupá-lo por algo pessoal.” Ele desviou o olhar para a estrada. “Mas foi um erro.”
Fiquei em silêncio.
Então ele respirou fundo.
“Caroline… eu não fui totalmente sincero com você.”
Aquelas palavras fizeram tudo dentro de mim parar.
“Na noite em que estivemos juntos… eu perdi o controle.” Ele me olhou. “Eu te marquei.”
Meu corpo gelou.
“O quê?”
“Você foi marcada por um Alfa. Por mim.”
“Mas… eu não vi marca nenhuma. Não aconteceu nada comigo.”
“Nem sempre é visível. A marca está no instinto. No vínculo. Na alma.”
Ele passou a mão pelos cabelos, claramente incomodado. “E pode ter consequências.”
“Consequências, Damon?” Minha voz subiu. “Que porra de consequências?”
Ele hesitou. Por um segundo, parecia que não queria me dizer.


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