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Marcada pelo meu chefe Alfa romance Capítulo 61

Damon Thorn

Eu estava mal-acostumado.

Não era comum ter alguém para dividir a cama, e principalmente… para dividir a vida.

Sempre lidei com minhas questões sozinho, e foi assim por muito tempo. Até ela chegar: uma cozinheira, humana, e teimosa demais para o próprio bem.

Respirei fundo, sentado na beira da cama. A pasta com o relatório de Victor ainda aberta sobre a mesa. Me levantei, caminhei até a janela e olhei para a floresta lá fora.

“Hart…” sussurrei sozinho.

Ela estava lá embaixo, entre as estufas, mexendo nas flores, distraída, como se o mundo não estivesse prestes a ruir.

E ela não fazia ideia… do que eu seria capaz de fazer para mantê-la a salvo.

Bati com força a pasta sobre a mesa, fechei e desci as escadas.

Parei na porta, a mão firme na maçaneta. Respirei uma última vez antes de girar.

Abri.

Ela ergueu os olhos imediatamente ao me ver, ainda agachada na terra, as luvas sujas, os cabelos presos de qualquer jeito. Linda.

“Hart…” sussurrei. “Bom dia.”

Ela se levantou, tirando as luvas e limpando as mãos na calça.

“Bom dia.” Se aproximou, me dando um selinho. “Você tá bem?”

Inclinei a cabeça, puxando a respiração.

Como eu poderia estar mal… depois de passar a noite toda com ela?

“Você acordou cedo…” observei, pegando uma mecha do cabelo dela entre os dedos.

“Já preparei o café da manhã para a casa… agora estou terminando de fazer algumas coisas até o almoço.”

Dei dois passos para mais perto dela, segurei sua nuca, fazendo com que seu rosto ficasse bem próximo do meu.

Minha vontade era de pegá-la ali mesmo, sem mais nenhuma palavra, mas… se eu começasse, não conseguiria parar.

Ela percebeu, os olhos brilhando.

“Não vai… fazer nada?” provocou, com aquele sorriso que me tirava a razão.

Inclinei a cabeça e sussurrei, perto demais:

“Se eu começar, não paro.”

Ela mordeu o lábio inferior.

Segurei o rosto dela com uma das mãos, puxei de leve e encostei minha testa na dela, respirando fundo, lutando contra a necessidade que ela despertava em mim.

Mas eu não podia. Não agora.

“Preciso sair.”

Ela franziu o cenho, se aproximando mais, as mãos pousando em meu peito.

“Agora? Para onde?”

Olhei fundo nos olhos dela e, por um segundo, pensei em dizer a verdade.

Mas não. Não podia envolvê-la nisso ainda.

“Negócios.” Minha voz saiu firme, direta.

Ela não desviou o olhar.

“Negócios?”

Assenti.

“Na cidade.”

“Nova York?”

“Sim.”

Ela mordeu o lábio inferior, e eu soube que queria perguntar mais, mas se conteve.

“O que… aconteceu?”

Inclinei o rosto, encostando meus lábios no canto da boca dela e sussurrei:

“Não se preocupe com nada.”

Ela ficou em silêncio, o olhar tenso, tentando decifrar o que eu não estava dizendo.

“Vai… demorar?”

“Não.”

“Quer que eu… vá com você?”

Afastei um pouco, olhando bem nos olhos dela. Apertei de leve sua cintura, marcando.

“Não. Victor vai comigo.”

“Por quê?”

Passei o polegar pela linha do queixo dela, puxando o rosto para mais perto, minha voz saindo baixa, mas carregada de convicção:

“Porque você é minha mulher agora. E eu não exponho quem é minha a problemas.”

Ela sorriu, aquele sorriso pequeno, tenso, mas sincero.

Dei um beijo demorado na testa dela, respirei o cheiro da pele e então virei de costas, caminhando até o carro sem olhar para trás.

O mundo podia estar desmoronando lá fora, mas ela…

Ela estava segura aqui.

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