Caroline Hart
Fotos e mais fotos do meu passado…
Espalhei tudo sobre a cama, como se eu pudesse encontrar alguma resposta ali, entre as imagens desbotadas.
Minha mãe nunca me falou muito sobre quem era meu pai. A única coisa que eu sabia… é que obviamente ele não quis assumir a paternidade.
Mas… por que isso viria à tona agora? E o pior, quem estava por trás dessa mensagem?
Meu pai sempre foi Dan. O único pai que eu conhecia.
A mensagem no celular ainda vibrava na minha mente, como uma maldição: “Acho que você deveria saber de quem é filha.”
Respirei fundo e peguei o telefone, discando o número que eu sabia de cor desde criança.
Ele atendeu prontamente, a mesma voz grave de sempre, mas agora mais cansada.
"Alô?"
"Oi… Dan."
"Caroline! Que surpresa você ligar… tá tudo bem, minha menina?"
Fechei os olhos, apertando o telefone contra a orelha. Só o som da voz dele já me fazia lembrar de casa, de segurança.
"Tá… tá sim. Eu… na verdade, eu queria te pedir uma coisa."
"Claro, o que for."
"Você… você poderia me enviar fotos da minha certidão de nascimento? E… sei lá, alguns documentos antigos… coisas minhas."
Silêncio do outro lado da linha.
"Para quê isso, Carol?"
Mordi o lábio inferior.
"Ah… nada de mais. Só… vou precisar para usar no processo contra Zion."menti."
Mas eu não sabia como explicar o que nem eu mesma entendia.
Dan respirou fundo do outro lado.
"Tá bem filha. Eu vejo o que encontro e te mando."
Antes que ele desligasse, eu apertei o celular com mais força e soltei:
"Dan… antes da mamãe… falecer… ela… ela falou algo sobre quem era meu pai? Sobre… o homem que me gerou?"
Silêncio.
Eu sabia reconhecer quando alguém queria fugir de uma pergunta. E foi exatamente o que ele fez.
"Caroline… você sabe que pra mim, sempre fui eu o seu pai. Não importa quem colocou você no mundo."
Minha garganta se fechou.
"Mas ela disse algo?" insisti, a voz já começando a falhar.
Ele respirou fundo mais uma vez.
"Não. Ela nunca disse nada."
Mentira.
Eu podia sentir.
"Tá…"
"Eu te amo, minha menina."
"Também te amo, Dan. Depois nos falamos."
Desliguei e fiquei ali, sentada na beirada da cama, com o telefone ainda na mão, olhando para as fotos espalhadas.
Eu queria contar para ele sobre a gravidez, sobre tudo que estava acontecendo em minha vida. Mas eu simplesmente não podia, havia muita coisa envolvida, e eu precisava descobrir o porquê.

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