A mansão estava silenciosa quando entrei. O ar estava pesado, como se algo estivesse prestes a acontecer. Respirei fundo e a porta da sala de estar se fechou com um estalo. Olhei ao redor, sentindo o vazio da casa me engolir. Hart não estava aqui.
O cheiro dela ainda estava no ar, vindo aparentemente do chalé. A cadeira onde ela costumava se sentar à noite, os livros espalhados pelo sofá... Nada havia mudado. Eu apenas acordei cedo hoje e segui para resolver um milhão de coisas. Lobos brigando, construtora, invasão de território. Um inferno.
Me forcei a respirar fundo, tentando manter a calma. Ela não iria sair assim, sem mais nem menos, sem deixar um sinal. Eu sabia que algo estava errado, mas ainda não conseguia colocar o dedo naquilo que me perturbava.
Onde diabos essa mulher foi?
Fui até o chalé. A porta estava entreaberta. Nenhum som, nenhum movimento. Eu me forcei a não entrar em pânico.
Mas havia um cheiro… Um cheiro que eu não conseguia distinguir. Era humano.
Havia algo mais por trás disso. Algo que eu não estava vendo.
Minha mão ainda estava tremendo quando passei pela cozinha. Daiana, estava limpando uma bancada com um pano, mas ao me ver, ela parou e me olhou com um tipo de calma que só fazia aumentar minha angústia.
"Meu alfa?" Ela disse, a voz baixa, quase como se estivesse esperando por algo.
"Você viu Hart?" Perguntei, sem paciência. A frustração estava começando a me consumir.
Daiana hesitou, como se tentasse juntar as palavras. "Não, senhor. Eu só a vi de manhã, quando ela perguntou por você, e aí ela foi procurar sinal de celular no chalé. O estranho é que ela não apareceu para cuidar da cozinha, achei que ela estivesse com o senhor."
O pânico aumentou. Ela não estava cuidando da cozinha. Não estava aqui... Onde ela foi?
"Você tem certeza disso? Não viu ela por aí, em nenhum momento?" A voz saiu mais grave do que eu pretendia, mas a angústia estava tomando conta de mim.
Ela olhou para o chão, a tensão no rosto dela aumentando. "Eu... eu não sei onde ela está, senhor."
Frustração e raiva começaram a tomar conta de mim, mas eu sabia que precisava de respostas, não de brigas com ela. Ela não era culpada.
"Se você souber de algo, me avise. Agora." Eu não a estava ameaçando, mas a pressão nas minhas palavras era inevitável. Não ia deixar ela escapar dessa.
Saí sem esperar mais respostas. Não havia tempo para isso. Eu precisava agir rápido. E a primeira coisa que me veio à mente foi Eric. O maldito traidor. Se ele tivesse desrespeitado a nossa pequena trégua, eu cortaria a sua laringe.
Fui direto para o telefone e, sem pensar, liguei para ele. Não estava na hora de hesitar. Eu precisava da verdade.
"Eric", minha voz soou fria. "O que você fez com Hart?"
"Quê? Eu não fiz nada. Você pediu uma trégua, e eu dei. Estou cumprindo a minha parte e tentando descobrir o que você quer." A voz dele estava calma, mas eu podia sentir a mentira entre as palavras.


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