Caroline Hart
O medo não era só meu, era ancestral. Eu andava de um lado para o outro pela mansão, sentindo o suor frio escorrer pela minha nuca. O maldito relógio marcava três da manhã e Damon ainda não voltou.
Daiana rezava baixinho, o rosto pálido. Tudo estava silencioso, exceto pelo som apressado do meu coração.
"Isso vai demorar muito?" eu murmurei, tentando controlar a voz para não tremer.
"Normalmente a alcateia não é atacada assim, Hart. Mas... dessa vez... é diferente. Tem cheiro de sangue no vento, eu consigo sentir. Temos que rezar para a Deusa da Lua."
"Por que…?" minha voz saiu falha, presa na garganta.
"Para eles vencerem. Se perderem, eles levam as crianças e fêmeas como escravas, e matam os machos. Já aconteceu antes."
Minhas mãos foram para a barriga instintivamente. O bebê chutou fraco, talvez sentindo o medo que emanava em meu corpo. Minha estrutura inteira tremia. O medo não era só meu, era ancestral, corria nas veias como um veneno.
Eu queria saber de Damon, precisava saber que ele estava vivo. Precisava de uma palavra, uma notícia, um grito vindo da floresta dizendo que ele estava vencendo, que estava voltando para mim.
Qualquer sinal.
Mas só havia silêncio.
Eu comecei a andar de um lado para o outro. O relógio parecia parado, a madrugada demorava a passar. Daiana continuava pedindo ajuda a Deusa que eles acreditavam, com os olhos fechados. Senti vontade de chorar, de gritar, mas engoli o desespero.
Tudo isso só reforçava o quanto eu ainda não me sentia parte disso tudo.
De repente, o vidro da janela estourou. O barulho fez meu corpo gelar.
E instintivamente eu fui para trás.
Daiana gritou e correu para perto de mim. Antes que eu reagisse, dois lobos enormes invadiram o local.
O cheiro era horrível — um fedor de animal, lama e sangue seco. Não eram nossos lobos. Eram inimigos.
Resta saber como eles conseguiram entrar aqui.
Um deles me olhou como se eu fosse lixo. O sorriso dele era largo, sem compaixão.
“Olhem só”, ele rosnou, aproximando-se. “A humana do Alfa. Isso é tudo o que Alfa supremo conseguiu? Uma fêmea fraca e indefesa?”
Tentei correr, mas antes que eu pudesse alcançar a porta ele agarrou meu braço com tanta força que senti os meus ossos rangerem.
Gritei, tentei soltar, mas ele só apertou mais. Daiana se jogou nele, tentando me proteger.
“Solte ela! Ela está grávida, seu monstro!” Daiana chorava, mas foi empurrada com tanta força que bateu na parede e caiu. Eu tentei me desvencilhar, mas só recebi um tapa forte no rosto, o gosto de sangue se espalhando na boca.
“Silêncio, loba velha!” O invasor cuspiu perto do meu rosto. O desprezo era nítido.
O outro lobo riu alto. “Levem logo essas fêmeas idiotas. O Alfa quer a humana. Vai adorar ver o quanto o grande líder se ajoelha por causa de outra espécie.”
As palavras doeram mais que a dor física. Fui arrastada pelos cabelos, joelhos batendo no chão de mármore, barriga protegida com as mãos trêmulas.


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