Damon Thorn
A floresta era só cheiro de sangue, carne rasgada e dor. Eu rasgava, mordia, dilacerava qualquer um que se pusesse na minha frente. Não havia pensamento humano. Só instinto. Só o Alfa. Meu pelo estava encharcado, a mandíbula travada, a garganta seca de tanto rosnar. Os uivos dos meus lobos se misturavam aos gritos de desespero dos invasores.
Kael surgiu no meio da clareira, olhos de fera, o sorriso sádico coberto de sangue. Ele era forte, mas não mais forte que minha fúria.
"É tudo o que tem, Damon?" ele gritou, cuspindo sangue no chão. "Vai perder tudo por causa de uma humana? Seu território, sua honra, sua alcateia... Você se esqueceu do que é ser lobo."
Eu pulei sobre ele, garras contra peito, dentes contra garganta. A luta era selvagem. Nos rolamos na lama, quebrando galhos, esmagando terra. Senti meus dentes cortarem a pele dele, o gosto de sangue invadindo minha boca. Ele gritou, tentou se soltar, mas eu era o Alfa, e não ia deixar barato.
"Você nunca vai me vencer, Kael!", rosnei entre os dentes, o ódio me cegando. "Aqui, mando eu!"
Outros lobos vieram, tentando separar, mas minha matilha avançou junto. Era um pandemônio. Meu mundo se resumia a morder, rasgar, destruir.
No fim, Kael se desvencilhou. Vi o medo nos olhos dele — só por um segundo — antes de desaparecer no meio da floresta, junto a Eric e alguns lobos sobreviventes.
Me ergui ofegante, sangue escorrendo pelo peito, a cabeça latejando.
Victor, ainda em forma de lobo, se aproximou, uivando para chamar atenção dos outros. Todos pararam, olhares para mim, esperando comando. O silêncio caiu sobre a clareira. Só restava o cheiro de morte e o gosto de vitória amarga.
Me transformei de volta, os ossos doendo, a pele queimada de adrenalina. Olhei ao redor. Não vi Kael. Não vi Eric.
Porcaria. Esses malditos.
"Reúnam todos. Ninguém vai embora sem que eu autorize", ordenei, a voz rouca. "Contem os nossos. Verifiquem os feridos."
Victor se aproximou, a expressão sombria.
"Alfa... conseguimos. Mas Kael sumiu. Eric também. Eles escaparam."
Meu estômago se revirou. Senti o gelo tomar conta do meu peito. Faltava algo. O cheiro de perigo ainda estava no ar.
"Voltem para a mansão", ordenei. "Quero todos lá, agora."
Corremos juntos, atravessando a floresta, saltando troncos e pedras. O medo apertava meu peito a cada passo. Algo estava errado. Minha mente gritava o nome dela.
Quando alcancei o portão da mansão, tudo parecia intacto. Mas o cheiro... não era certo. Um odor estranho de sangue, de raiva, de traição. Pulei o portão, corri pelos corredores vazios, gritando.
"Hart! Daiana!"
Nenhuma resposta.
A janela da sala estava quebrada. Vidro espalhado pelo chão. Manchas de sangue no tapete.
Victor chegou atrás de mim, ofegante. "Como conseguiram entrar? A mansão é impenetrável..."
Eu já sabia a resposta antes de dizer em voz alta, o nome preso na garganta feito veneno.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Marcada pelo meu chefe Alfa