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Marcada pelo meu chefe Alfa romance Capítulo 87

Caroline Hart

Em meus sonhos de adolescente, um pouco antes da minha mãe morrer... eu imaginava que meu pai iria vir atrás de mim. Que seríamos uma família feliz, e que ele iria pedir perdão por nunca ter me reconhecido como filha.

Mas o tempo passou, eu cresci, e virei uma mulher. A esperança de que ele iria aparecer, foi sumindo aos poucos.

E eu preferia que fosse assim. Nunca ter conhecido ele evitaria destruir as minhas idealizações, e descobrir que ele era um monstro.

O mármore brilhava sob meus pés sujos.

Cheguei ali arrastada, cercada de lobos, humilhada, e agora cercada por luxo. O contraste da minha vida era tão absurdo que doía. Parecia uma piada.

Eu observava tudo ao meu redor com curiosidade.

Do corredor, um segurança me empurrou pelo ombro, fazendo meu corpo tropeçar, e eu engoli o grito de ódio. Eu queria mostrar força, mas tudo dentro de mim tremia. O cheiro de perfume masculino misturado a charuto, o brilho do ouro, tudo me dava enjoo.

Ele estava esperando na sala, de pé diante da lareira acesa, as mãos cruzadas nas costas. Richard Lancaster. O governador. Meu pai. Eu já o tinha visto antes, no restaurante de Narrowsburg, mas ali, naquele território dele, a presença era sufocante, muito mais ameaçadora.

Meu pai. Aquela palavra ecoava em minha mente como uma tragédia.

A primeira vez que o vi, minha mente entrou em pane. Mas agora, sentia pânico e raiva se unindo, como ele... pôde?

Por um instante, quase me iludi que ele poderia se importar. Só que ali, cercada pelo poder dele, vi o homem que nunca quis uma filha, só mais uma carta na manga.

“Você chegou rápido,” ele disse sem olhar para mim. A voz não era de pai, era de político, de um predador. Ele se virou devagar, olhos frios me analisando como se eu fosse um quadro antigo, algo para avaliar, não para amar.

Meu corpo inteiro ficou rígido. “Acho que não tinha escolha, não é?”

Ele soltou um leve sorriso — falso, vazio. “Todos temos escolhas, Caroline. O problema é que às vezes o custo é alto demais.”

Por alguns segundos, tudo ficou em silêncio. O fogo estalava na lareira. Tentei não tremer, mas o medo grudava em mim como suor frio. O bebê mexeu na minha barriga, e só aquilo me impediu de desmoronar ali.

“Você me trouxe aqui à força,” eu disse, a voz tremendo de raiva. “Deixou que me sequestrassem, que me humilhassem como um animal. Por quê? Você me odeia tanto assim? É um monstro.” vociferei.

Ele não piscou. “Porque você é minha filha, e mesmo que não queira admitir. E, porque o que está em jogo é muito maior do que seus sentimentos.”

Uma risada amarga escapou dos meus lábios. “Maior do que o meu direito de existir? Do que o filho que estou esperando? Que droga você entende sobre sentimentos?"

Ele caminhou até a janela, de onde se via o jardim perfeitamente aparado, carros de luxo, seguranças em trajes pretos vigiando tudo. “Você se meteu com Damon Thorn, colocou em risco a paz de uma região inteira. Não entende querida? Isso é política, não novela romântica.”

“Então para você eu nunca fui nada além de um incômodo?” Minha voz falhou. “Nem um pouco de culpa por ter me abandonado?”

87. O pai que nunca tive. 1

87. O pai que nunca tive. 2

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