POV: Massimo
O cheiro de fumaça de cigarro e suor frio impregnava o escritório nos fundos da boate. O som da música eletrônica lá fora era apenas uma vibração abafada nas paredes. Eu estava sentado atrás da mesa, observando Pietro, o gerente desta unidade, tremer enquanto Enzo mantinha a mão pesada sobre o ombro dele.
Acendi um cigarro e deixei a fumaça sair lentamente enquanto girava um copo de whisky.
— Pietro, Pietro... — comecei, o tom de voz tão baixo que o fez soluçar de pavor. — Eu lhe dei a confiança de gerenciar o meu lucro, e você me retribui com números falsos? Acha que eu não noto quando o dinheiro some?
— Senhor Capone, eu juro... eu ia devolver, foi uma emergência familiar! — ele gaguejou, as lágrimas escorrendo pelo rosto pálido.
Eu odeio mentiras. Especialmente as sentimentais.
Levantei-me devagar, caminhei até ele e, sem aviso, desferi um soco seco e preciso no estômago dele. Pietro se dobrou, perdendo o ar. Antes que ele caísse, segurei seu queixo com força, forçando-o a me olhar.
— A Tríade não perdoa traição, muito menos roubo. Enzo, quebre três dedos da mão direita dele. A mão que ele usou para assinar os balanços falsos. — O grito de dor de Pietro ecoou quando Enzo cumpriu a ordem com a frieza de um carrasco. — Amanhã, quero o valor integral de volta com juros. Se faltar um centavo, a próxima coisa que vou quebrar será o seu pescoço.
Saí do escritório limpando os nós dos dedos em um lenço, deixando Pietro jogado no chão.
Quando me dei conta, já passava das 21:00. O tempo havia voado e a imagem de Chiara me esperando na mansão — ou melhor, sendo obrigada a me esperar — me fez querer encerrar tudo rapidamente.
O trajeto de volta para a mansão foi silencioso, mas minha mente estava acelerada. Assim que entrei, Francesca veio ao meu encontro com sua postura rígida de sempre.
— Onde ela está? — perguntei, jogando as chaves sobre a mesa do hall.
— A senhorita Rossi ainda não desceu para o jantar, senhor.
— E por que você não foi chamá-la? Sabe que eu prezo pela pontualidade.
— Ela parecia exausta, senhor. Preferi deixá-la descansar — respondeu a governanta, e notei um brilho estranho em seus olhos, algo que eu resolveria depois.
Subi as escadas de dois em dois degraus. Ao tentar abrir a porta da suíte, senti a resistência. Trancada. Meu sangue ferveu. Bati com força na madeira, várias vezes, chamando por ela.
— Chiara! Abra esta porta! — chamei, minha voz ecoando pelo corredor.
O silêncio do outro lado me deu um frio na espinha que eu raramente sentia. Eu já estava pronto para arrombar a porta com o ombro quando ouvi o clique do trinco. Chiara apareceu, piscando os olhos, confusa. O vestido azul estava todo amassado, o cabelo uma bagunça adorável e o rosto marcado pela pressão do travesseiro.
Entrei no quarto.
— Você está bem? O que aconteceu? — perguntei, o alívio lutando com a irritação.
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