POV: Chiara
O caminho de volta para a mansão foi silencioso. Massimo me informou, com aquela voz que não admite questionamentos, que Matteo passaria um período conosco até resolver alguns problemas pendentes. Senti que a dinâmica da casa estava prestes a mudar.
Assim que entramos, Francesca recebeu Matteo com um sorriso radiante. Era nítido que ela tinha um carinho especial por ele, dizendo o quanto estava feliz em vê-lo. Massimo, porém, mal teve tempo para amenidades; o celular dele tocou e, em instantes, ele, Matteo e um grupo de seguranças desapareceram no escritório.
Aproveitei a brecha para tentar relaxar. Tomei um banho demorado, vesti um baby doll de seda e deitei na cama para ler. O cansaço do jantar com os Capone pesou e acabei pegando no sono com o livro ainda aberto ao meu lado.
Acordei horas depois com a garganta seca. A casa estava mergulhada em um silêncio profundo. Saí do quarto nas pontas dos pés e fui até a cozinha. Eu estava distraída, bebendo água, quando uma voz masculina surgiu logo atrás de mim:
— Menina Rossi... o que faz aqui uma hora dessas, vestida desse jeito?
Puta merda! Não era a voz do Massimo. O susto foi tão grande que o copo escorregou da minha mão, estraçalhando-se no chão.
— Que susto, meu Deus! — exclamei, com o coração na boca.
Sem pensar, me abaixei rapidamente para recolher os cacos de vidro.
— O que está acontecendo aqui? — A voz de Massimo ecoou como um trovão pela cozinha.
Levantei o olhar e congelei. A cena era péssima. Eu estava ali, agachada, com a bunda para cima e o baby doll curto demais, mostrando praticamente tudo, enquanto Matteo estava parado logo atrás, observando a situação. Tinha sido ele quem me assustara, sem querer, mas o olhar de Massimo dizia que ele não se importava com as intenções.
Levantei e me virei lentamente, sentindo meu rosto queimar de vergonha sob o escrutínio gélido de Massimo.
— Massimo, eu cheguei aqui e acabei assustando a garota — Matteo tentou explicar, mantendo a calma.
Massimo ignorou o irmão completamente. Ele veio em minha direção com passos pesados. Antes que eu pudesse abrir a boca para me explicar ou tentar sair dali, ele me ergueu do chão pela cintura em um movimento brusco e me carregou para o quarto. Ele bateu a porta com força, sem parecer nem um pouco preocupado com o que os seguranças ou Matteo pensariam.
— Chiara, nunca mais saia do quarto com essas malditas roupas de dormir — ele rosnou, me prensando contra ele. — Não queira saber o que eu faria com qualquer homem que ousar olhar com desejo para o que é meu.
— Massimo, é só um baby doll, não tem nada demais — tentei retrucar, embora estivesse tremendo. — Você quer que eu durma de calça jeans?



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