POV: Chiara
O sol mal tinha acabado de entrar pelas frestas da cortina quando peguei o telefone. Liguei para Giulia, sentindo meu coração um pouco mais leve pela primeira vez em dias.
— Chiara? Já acordada? — a voz dela ainda estava arrastada pelo sono.
— Nem reclama, tenho uma notícia boa. O Massimo viajou e eu consegui autorização para você passar uns dias aqui na mansão comigo. O que acha?
— O quê? Você está brincando? — ouvi o barulho dela se sentando bruscamente na cama. — Amiga, eu topo agora! O motorista que lute para carregar as minhas malas.
— Então corre. Organiza suas coisas porque o motorista vai passar aí para te buscar em uma hora. Te espero para o almoço.
Depois que desligamos, fui para o banho, deixando a água quente relaxar meus ombros. No closet, ignorei as roupas mais sérias e escolhi algo que me fizesse sentir eu mesma: uma calça jeans de lavagem clara, um body de seda champagne e um cardigã leve por cima. Nos pés, apenas uma rasteirinha elegante. Prendi meu cabelo em um coque despojado, deixando algumas mechas soltas.
Desci as escadas e encontrei Francesca na cozinha. A presença dela sempre parecia esfriar o ambiente em alguns graus.
— Bom dia, Francesca. Gostaria de avisar que uma amiga minha virá passar uns dias aqui. O Massimo permitiu antes de sair — eu disse, tentando manter o tom firme, mas educado.
Ela parou de polir os talheres de prata e me mediu de cima a baixo. O olhar dela nunca era exatamente acolhedor.
— Uma amiga, senhorita? Esta casa raramente recebe pessoas de fora que não sejam... do meio.
— Pois desta vez será diferente — respondi, sem dar espaço para discussões. Sentindo o clima ficar pesado como sempre acontecia entre nós. — Por favor, prepare um almoço especial. Gostaria de um risoto de limão siciliano com camarões grelhados e, para a sobremesa, um tiramisu bem fresco que sei que você faz como ninguém.
Francesca soltou um suspiro audível, nitidamente contrariada com o trabalho extra, mas assentiu sem dizer uma palavra. Antes que eu pudesse começar meu café, o motorista apareceu na porta.
— Com licença, senhorita Chiara. Já estou saindo para buscar a senhorita Giulia.
— Ah, obrigada! Por favor, dirija com cuidado e ajude-a com as malas — eu disse, abrindo um sorriso que ele retribuiu com um aceno respeitoso antes de sair.

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