POV: Chiara
Recostei-me no sofá antigo da minha sala, sentindo o corpo finalmente ceder ao cansaço do dia. Minha taça de vinho estava cheia até a borda; eu precisava daquilo. Levei o cristal aos lábios e tomei um longo e lento gole do vinho tinto doce e frutado, saboreando o frescor enquanto ele passava pela minha língua e aquecia minha garganta.
Desde que Massimo saiu da sala de conferência mais cedo, ele era a única coisa em que eu conseguia pensar. Era ridículo. Eu me sentia uma adolescente delirante por sentir algo tão avassalador por um homem sobre o qual eu não sabia absolutamente nada. Naquele ponto, eu tentava me convencer de que era apenas atração física, mas no fundo, eu sabia que era mais.
Havia um ar de algo potente, uma masculinidade tão crua e dominante ao redor dele que parecia chamar o lado mais suave e feminino de mim. Massimo Capone era feito de arestas duras e autoridade, e apenas a lembrança do toque dele nos meus dedos me deixava fraca. Ele despertava em mim uma fome por experiências que eu sabia que nunca tinha vivido.
Levei a taça aos lábios novamente e tomei um gole muito mais forte. Eu não era virgem, mas já fazia muito tempo que eu não tinha um homem na minha cama — mais tempo do que eu gostaria de admitir. Ultimamente, minhas únicas noites de prazer eram solitárias, divididas com o meu vibrador no silêncio do meu quarto. Mas, ao pensar em Massimo, eu tinha certeza de que qualquer encontro sexual com ele seria algo que ultrapassaria meus sonhos mais selvagens. Homens como ele não existiam no meu mundo de planilhas e hospitais.
Olhei para o meu celular na pequena mesa de centro, esperando. A tela permanecia escura. Eu tinha salvo meu número no aparelho dele, ele disse que ligaria... mas o tempo estava passando. Bebi mais uma taça, observando pela janela as luzes das outras casas de Milão, imaginando onde ele estaria agora.
O relógio marcou quase meia-noite. Decidi que já chegava de esperar. Eu precisava acordar cedo para trabalhar e as visitas ao meu pai estavam me drenando. Tomei um banho quente, deixei a água levar um pouco da tensão e vesti um babydoll de seda negra que abraçava minhas curvas. Quando deitei na cama, porém, a curiosidade falou mais alto que o sono.
Peguei o celular. Meus dedos hesitaram por um segundo antes de digitar na aba de pesquisa : Massimo Capone.
Os primeiros resultados eram exatamente o que eu esperava de um homem daquela posição: prêmios de empreendedorismo, fotos em eventos de gala e palavras brilhantes. Tudo parecia perfeito. Li sobre suas doações generosas para instituições de caridade e artigos que exaltavam sua família influente da Sicília. Ele era descrito como um empresário multimilionário que construiu um império tecnológico e logístico.

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