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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 213

PERSPECTVA DA SERAPHINA

Quando saímos da pista, o ar já tinha refrescado, anunciando o fim da tarde. As luzes do estacionamento brilharam contra os capôs polidos dos carros parados e uma brisa suave bagunçava algumas mechas do meu cabelo.

Daniel pulava entre nós, com as bochechas ainda coradas do jogo e o sorriso mais brilhante que o néon da placa do café.

"Foi demais!" ele declarou pela quinta vez, pulando feito doido, um pé no exagero e o outro na alegria pura. "Você viu aquele último lance, Mãe? O Papai passou o disco e... boom! Gol!"

Kieran riu ao meu lado, me deixando um pouco mais ciente do calor dele encostando em mim.

"Vi sim," eu disse, com um sorriso quase tão largo quanto o do Daniel. "Você foi incrível, querido."

O riso do Maxwell ecoou atrás de nós. "Vocês são uma dupla e tanto," ele disse, alcançando o Noah e o Zach que vinham logo atrás. Os meninos pareciam cansados, mas tinham sorrisos nos rostos e estavam com os cabelos grudados nas testas.

"Pra ser sincero, eu deveria ter imaginado que não seria fácil jogar contra uma dupla Blackthorne."

"Não se cobre tanto," Kieran respondeu tranquilamente, estendendo a mão. A tensão que notei antes, quando ele conheceu o Maxwell, parecia ter desaparecido no gelo. "Você e os seus meninos se mantiveram firmes. Os gêmeos têm reflexos rápidos. É você quem os treina?"

"Todo fim de semana," Maxwell disse, com orgulho na voz. "Mas o Daniel pode superar todos nós um dia."

Noah e Zach trocaram olhares e os seus sorrisos vacilando um pouco. Havia uma leve rigidez nos ombros deles, algo que eu talvez não tivesse notado se não tivesse passado anos escondendo as minhas próprias dores, sutis e silenciosas.

Daniel, alheio como sempre à inveja, sorriu abertamente. "Vocês foram incríveis também! A gente devia jogar de novo. Quem sabe no próximo fim de semana?"

Por um momento, os gêmeos hesitaram. Então, o Noah assentiu rapidamente. "Claro. Ia ser legal."

Zach fez o mesmo gesto, embora o seu tom tenha saído um pouco forçado. "É, demais."

Maxwell deu um tapinha aprovador na cabeça do Daniel. "Você manda bem no hóquei, garoto. Continua assim."

Então, ele se virou para mim. "E você tem um filho incrível, Seraphina."

"Obrigada," eu disse, com um sorriso suave. "Ele é o meu mundo inteiro."

O olhar do Kieran se voltou brevemente para mim, cheio de significado. Antes que eu pudesse analisar o significado do olhar, o Daniel puxou minha manga, chamando a minha atenção de volta imediatamente.

"Mãe, podemos convidar o Papai pra jantar?" ele perguntou. "Para agradecer por ter jogado comigo?"

Eu hesitei.

Jantar. Com o Kieran. Depois do jeito que ele tinha sorrido para mim no ringue e depois daquele breve e tolo impulso de esperança que fez meu coração disparar?

Eu não tinha acabado de falar que estava receosa de repetir os passeios em família?

Mas, então, o Daniel me lançou aquele olhar suplicante e esperançoso que poderia derreter aço.

Eu suspirei, derrotada. "Tá bom. Mas não vamos comer fora. Eu vou cozinhar."

Kieran arqueou uma sobrancelha. "Cozinhar? Tem certeza?"

Não, eu não tinha certeza. O que eu estava pensando ao convidar o Kieran para ir na minha casa e me dispor a cozinhar para ele?

Mas, ao invés de voltar atrás, lancei um olhar para ele. "Você quer jantar ou não?"

Diga não. Diga não. Diga não.

Ele franziu os lábios e assentiu brevemente. "Eu adoraria."

Maravilha.

***

A casa estava quente quando entramos e um leve cheiro de canela permanecia do chá da manhã.

Daniel correu escada acima, ainda cheio de energia depois do jogo. “Tenho que tomar banho!”

“Não precisa correr!” eu gritei atrás dele.

“Já era!” veio a sua voz abafada, já distante.

Soltei uma risada suave, balançando a cabeça enquanto ia para a cozinha. “Não sei de onde ele tira tanta energia.”

Kieran me seguiu e parou na entrada, me observando com uma expressão indecifrável. “Ele tira de você.”

Pisquei para ele. “De mim?”

“Sim.” A voz dele abaixou um pouco, ficando mais suave. “A forma como você torce por ele, como a sua energia e a sua luz preenchem um ambiente... é contagiante. Indiscutível.”

O elogio me pegou de surpresa. Virei para a geladeira para ocupar as mãos (e esconder o rubor nas bochechas) e tirei os legumes que tinha preparado mais cedo e os outros ingredientes para o jantar.

Kieran não disse mais nada, e eu quase consegui fingir que ele não estava na cozinha. Exceto que isso era impossível.

Ele ainda estava parado na entrada, mas a sua presença enchia todo o ambiente como um balão inflando constantemente.

A cozinha parecia menor com ele lá dentro. O ar ficou mais denso. Quando ele se movia, o seu cheiro me envolvia quase tão tangivelmente quanto um toque físico.

“Precisa de ajuda com alguma coisa?” ele perguntou.

Balancei a cabeça, colocando os legumes sobre o balcão. "Não, eu dou conta."

Seu olhar escuro oscilou dos meus olhos para minha boca, e voltou. Aquele olhar era uma desconstrução lenta e deliberada, do tipo que não precisa de palavras.

De forma inesperada e sem aviso, um arrepio de desejo desceu pela minha espinha.

Era como se o meu corpo tivesse se desligado da mente e deixando todas as minhas ressalvas e inibições para trás.

Eu me inclinei mais para perto. Só um pouco. O suficiente para que o meu peito tocasse o dele. O suficiente para o calor da respiração dele se dissipar contra os meus lábios.

O calor familiar, o pulso de reconhecimento (que fosse do vínculo de companheiros ou não) ainda estava ali, sob a minha pele, correndo pelas minhas veias, enterrado sob camadas de negação.

Estávamos tão perto. Tudo que eu precisava fazer era levantar um pouco o queixo e os nossos lábios se encontrariam. Eu sabia que o beijo seria explosivo e assustador por causa da intensidade. E, deuses me ajudem, eu queria.

Por que eu não podia ter aquilo? O que estava me impedindo agora de reduzir a mínima distância entre nós e...

Uma porta bateu no andar de cima. Foi como se a minha consciência voltasse para o corpo e um pânico agudo afogou todo o resto.

Empurrei o Kieran com mais força do que pretendia.

Ele se afastou bruscamente e o seu corpo bateu na beirada do balcão com um som abafado. "Ai."

Minha respiração falhou. Meu coração rugia feito um animal selvagem.

"Kieran!" Dei um passo à frente imediatamente, com os olhos arregalados. "Eu... Eu sinto muito, não queria..."

Ele fez uma careta, colocando uma mão sobre o peito. "Tá tudo bem," ele resmungou.

Mas não estava. Ele não estava.

Franzi a testa, percebendo a dor que apertava as suas feições. Eu sabia que estava ficando mais forte a cada dia, mas aquele empurrão não deveria ter machucado um Alfa, especialmente um tão poderoso quanto Kieran Blackthorne.

"Kieran," eu disse suavemente, estendendo a mão para ele, hesitante. "Tem algo errado?"

Algo como pânico brilhou nos olhos dele e ele tentou se afastar, mas eu agarrei o seu pulso, afastando-o do peito.

Ele gemeu de novo e todos os alarmes da minha cabeça soaram freneticamente.

Antes que eu pudesse me perguntar que diabos estava fazendo, as minhas mãos já estavam puxando a barra da camiseta dele.

Os olhos dele se arregalaram. "Sera, não..."

Puxei a camisa dele para cima e ofeguei.

"O que é isso?!"

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