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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 212

PERSPECTVA DO KIERAN

Quando cheguei à pista de gelo, já estava meio fora de mim. Meu celular ainda estava aberto no banco do passageiro do carro, com a mensagem da Sera brilhando na tela como um sinalizador no escuro: SOS.

Além da mensagem, só um localizador e nada mais. Sem explicação, sem informações. Só isso.

Mal tive tempo de pegar a minha jaqueta antes de pular no carro. Cada semáforo vermelho parecia uma afronta pessoal. Quando derrapei no estacionamento, meu coração estava acelerado como um tambor de guerra na minha garganta.

Lá dentro, o frio e o cheiro cortante de gelo e metal me atingiram primeiro. Então, eu os vi através das portas de vidro.

Seraphina e Daniel.

Cada célula do meu corpo se preparou para o pior.

Sangue. Pânico. Lágrimas.

Por um segundo, procurei por algum ferimento, qualquer coisa que explicasse o ‘SOS.’

Mas, então, notei o calor no jeito dela, o pequeno sorriso fácil nos seus lábios ao dizer alguma coisa para ele.

Isso não foi suficiente para me acalmar.

Atravessei o saguão antes mesmo da minha mente racional entender. Abri as portas com muito mais força do que pretendia e quase todas as cabeças na pista se voltaram na minha direção.

Mas apenas duas importavam para mim.

O sorriso largo do Daniel enquanto acenava da pista me surpreendeu.

Eu congelei, examinando-o de cima a baixo enquanto ele corria (não, patinava) na minha direção sem um arranhão, tranquilo, perfeitamente bem. Animado.

“Pai! Você chegou!”

"O que tá acontecendo?" exigi saber, com urgência afiando a minha voz enquanto olhava entre os dois assim que Sera se levantou.

Então, um homem em quem eu não tinha reparado até então se levantou também.

Ele era quase tão alto quanto eu e tinha o porte de um lobo que passava muito tempo levantando peso. A sua pele era cor de chocolate e o cabelo crespo cortado bem rente. Parecia vagamente familiar, mas eu não conseguia lembrar de onde o conhecia.

O monstro verde e feio do ciúmes que me visitava sempre que eu pensava na Sera e no Lucian levantou a sua cabeça horrível, mas eu nem tinha certeza do que estava acontecendo.

Sera parecia tão confusa quanto eu, mas sua confusão rapidamente se transformou em entendimento. "Amor, esse é seu reforço?" ela perguntou ao Daniel.

Ele assentiu. “Isso mesmo!”

Franzi a testa. "O quê?" Levantei o celular. "Recebi uma mensagem de SOS. Achei que tinha acontecido alguma coisa."

Daniel se aproximou, sorrindo como se tivesse ganhado um prêmio. "Aconteceu uma coisa. Não tenho parceiro pro hóquei."

"Pro hóquei?" repeti, incrédulo.

Ele assentiu animadamente. "Eles me desafiaram pra uma partida," explicou, apontando para dois garotos idênticos parados ao lado do homem. "Dois contra um não era justo, então chamei um reforço."

Meu peito esvaziou com um suspiro audível. A tensão que me mantinha ereto evaporou, deixando para trás um alívio tão grande que me fazia querer rir ou xingar... ou os dois.

Sera levantou a mão meio em desculpas. "Sinto muito, Kieran, eu não percebi que ele tinha mandado mensagem pra você." Ela lançou um olhar levemente repreensivo para o Daniel. "Nunca mais vou te emprestar o meu celular."

Agora que não tinha mais uma névoa vermelha de pânico nublando a minha visão, eu a observei. Deus, ela estava linda.

Suas bochechas estavam rosadas pelo frio e o seu cabelo brilhava quase branco sob as luzes fluorescentes, fazendo-a parecer uma rainha da neve.

"Hum." Engoli em seco e respirei fundo para me acalmar. "Tá tudo bem."

Meu olhar se voltou intencionalmente para o homem ao lado dela.

Ela corou. "Ah, que falta de educação. Kieran, este é o Maxwell Cartridge, irmão da Maya," ah, por isso ele me parecia familiar, "e os gêmeos dele, Noah e Zach." Ela apontou para os meninos idênticos que me olhavam um pouco desconfiados.

"Maxwell, este é o Kieran, meu..." Meu coração pulou um batimento quando ela se interrompeu. Então, ela raspou a garganta e corrigiu, "O Pai do Daniel."

Maxwell estendeu a mão para mim e eu a apertei com relutância, usando toda a força de vontade que tinha para não olhar feio para ele ou apertar demais as suas falanges.

Daniel sorriu, olhando para mim. "Então, Pai. Você vai jogar, certo?"

Olhei para ele, depois para o gelo, e em seguida para a Sera. A expressão dela estava entre a diversão e um pedido de desculpas, tão longe da sua habitual indiferença e cautela que não tinha a menor chance de eu dizer não.

"Espera," um dos filhos dele interrompeu. "Se o pai do Daniel vai jogar, então, pai," ele olhou para o Maxwell, "você também tem que jogar."

As sobrancelhas do Maxwell se franziram. "Mas isso desequilibra os times de novo."

Por um segundo de tirar o fôlego, a multidão se tornou um borrão. As luzes suavizaram. Meu coração parou. Porque eu conhecia essa cena, já a imaginei um milhão de vezes quando éramos jovens e eu era tola e apaixonada.

Naquela época, existia a tradição de que, após uma grande vitória, o capitão ou o melhor jogador da partida patinava até a beira da pista, até alguém que o esperava, seja namorada, noiva ou esposa, e a beijava através do vidro.

E agora, ele estava ali.

Meus dedos tremeram levemente contra o vidro enquanto o Kieran se aproximava, com o Daniel ainda sobre os ombros.

Mas, então, ele parou de repente.

Um sorriso surgiu nos seus lábios ao abaixar o Daniel, empurrando-o gentilmente na minha direção. “Vai lá, campeão.”

Daniel pressionou as pequenas mãos contra o vidro, se inclinou para frente e beijou bem em cima do meu reflexo.

“Pra minha parceira especial,” ele disse alegremente.

A multidão riu. Eu também ri, embora o som tenha saído fraco e leve. Alívio e decepção se misturaram dentro de mim de uma maneira que eu não queria analisar profundamente.

O que eu esperava?

Kieran nunca foi de seguir tradições chamativas, para começo de conversar.

Ele também não fez isso com a Celeste, nem uma vez sequer em todos aqueles anos de aparições públicas e celebrações.

Ainda assim, uma parte ingênua de mim, o resquício da garota que um dia acreditou em contos de fadas, emergiu de novo, trazendo consigo aquela esperança familiar e tola.

Pressionei a mão contra o vidro, retribuindo o beijo do Daniel com um sorriso. “Mandou bem, querido.”

Com uma expressão indecifrável, o Kieran encontrou o meu olhar por cima da cabeça do Daniel.

Por um instante fugaz, o gelo entre nós não parecia tão frio.

Então, o encanto se quebrou. Noah tropeçou no Zach, Maxwell gemeu e a pista irrompeu em gargalhadas mais uma vez.

O momento se foi.

Mas o eco do sorriso dele, do calor, do fantasma de algo não dito, pairou sobre mim por muito tempo depois.

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