POV / CLARA
O som da porta da frente batendo indicou que a Isadora finalmente havia levado Adrianzinho,Helena e a Isadora para o passeio. O silêncio que se seguiu na mansão era raro, denso e precioso.
Sorri ao pensar na Isadora e no Mathew lidando com a energia caótica dos meus pré-adolescentes na casa deles, enquanto nós, finalmente, tínhamos o nosso momento de respiro após uma semana cheia.
Subi para a suíte principal, precisando de um banho demorado para lavar o cansaço acumulado das sessões no consultório de psicologia e das demandas infinitas que uma casa com cinco filhos exige de mim. Enquanto a água morna caía pelas minhas costas, ouvi os passos pesados e decididos que eu reconheceria até no meio de uma multidão barulhenta. Adrian parou no batente da porta de vidro. Mesmo após tantos anos de casamento, aquele olhar predatório continuava intacto, capaz de me despir por inteira sem que ele precisasse mover um único dedo.
— Saia daqui, Adrian — brinquei, jogando um pouco de água na direção dele com a mão. — Já combinamos as nossas regras da semana. Eu te vejo lá embaixo em vinte minutos. Nem um segundo antes.
Ele deu aquele sorriso de canto o mesmo que ainda fazia minhas pernas tremerem como na primeira vez que o vi e se retirou em silêncio, deixando apenas o rastro do seu desejo no ar abafado do banheiro.
Saí do banho e parei diante do espelho, deixando o vapor se dissipar devagar. Eu estava diferente. Os meus 37 anos me trouxeram uma maturidade, uma postura e uma segurança que a menina assustada de 22 anos jamais sonhou em ter. Meu cabelo agora exibia um loiro radiante e sofisticado, uma mudança que o Adrian idolatrava. Meu corpo estava mais magro, moldado pela rotina pesada e pelo tempo, mas eu não ignorava as marcas reais da minha história impressas na pele.
Meus seios não tinham mais a mesma firmeza de antes, levemente marcados pelo tempo em que amamentei as gêmeas e o nosso caçula com tanto amor. E havia a cicatriz da cesárea aquela linha de vida dupla, que um dia chamei de horrível, mas que hoje eu via como o meu maior medalhão de honra. Ao contrário do que eu temia no passado, não me sentia menos mulher por causa disso. Eu me sentia poderosa. Aquelas marcas eram o testemunho visual de que eu sobrevivi, que gerei vida e que sou amada por um homem que venera cada detalhe da minha evolução. Para ele, eu não tinha envelhecido; eu tinha me tornado uma obra-prima completa.
Vesti a lingerie vermelha a cor dele, a cor que ele sempre dizia ser a minha perdição particular. Olhei meu reflexo uma última vez, sentindo o peso do sobrenome que agora era meu por direito de posse e amor. Eu era Clara Cavallieri.
Desci as escadas em direção ao porão. Para o mundo exterior, era apenas o subsolo de uma mansão luxuosa. Para nós, era o nosso santuário particular, o lugar onde as máscaras de pais exemplares caíam para dar lugar aos nossos segredos mais profundos de entrega. O cheiro de couro e sândalo me atingiu assim que abri a porta pesada, despertando cada nervo do meu corpo.
Adrian estava lá, esperando por mim na penumbra da luz âmbar, envolto naquela aura de autoridade que nunca o deixava. O tempo podia ter passado, as mais velhas, Ângela e Geovana, podiam ter partido para a faculdade de Medicina no Rio de Janeiro ou os menores estarem brincando na casa da madrinha, mas ali, entre aquelas paredes, o relógio simplesmente parava.
— Você demorou, meu amor — ele disse, a voz rouca ecoando pelo espaço, carregada de uma promessa antiga que eu conhecia bem.
Caminhei em sua direção, sentindo o poder daquela seda vermelha contra a minha pele e a certeza absoluta de que, não importa quantos anos passassem, aquela noite seria como todas as outras: uma entrega total ao homem que me salvou e a quem eu, com toda a vontade do mundo, entreguei a minha alma.
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POV / ADRIAN CAVALLIERI
Eu sempre fui um homem de cálculos, de estratégias corporativas e de silêncios frios. Durante muito tempo, acreditei que o ápice da minha existência era o poder financeiro e a autoridade que eu exercia sobre os outros. Mas, enquanto eu estava ali, parado na penumbra do nosso santuário particular, esperando pelo som dos saltos da Clara contra os degraus de madeira, percebi que eu só comecei a viver de verdade no dia em que aquela babá desastrada cruzou o meu caminho.
Mais de uma década se passou desde que eu assinei o contrato que me ligou a ela, e cada dia que nasce parece ser mais feliz que o anterior. Se o Adrian do passado pudesse me ver agora, ele não me reconheceria. O homem que não aceitava ruídos ou distrações hoje sente uma falta absurda da gritaria das gêmeas e da correria do Adrian Júnior quando a casa fica silenciosa demais aos finais de semana.
Não foi um caminho fácil. Os primeiros anos foram uma maratona de exaustão, reuniões de negócios de bilhões intercaladas com noites em claro cuidando de febres, fraldas e choros em dobro. Meus filhos testaram cada grama da minha paciência rígida, mas me deram algo que nenhum bilhão foi capaz de comprar na bolsa de valores: a sensação de ser indispensável não pelo medo, mas pelo amor.
Minha única derrota — e eu admito isso com um rosnado preso na garganta toda vez que lembro — foi o Rio de Janeiro. Ver a Ângela e a Geovana, minhas primogênitas, partindo aos 23 anos para estudar medicina foi um golpe no meu peito. Mas vê-las escolherem morar com a tia Aurora... isso quase me fez perder a sanidade mental de vez. Se eu pudesse, teria despachado aquela mulher em um foguete para Marte ou, no mínimo, para uma faxina eterna no Japão, qualquer lugar bem longe das minhas meninas. Mas eu aprendi, a duras penas, que amar também é deixar voar. Elas herdaram a minha teimosia de nascença, e eu não tive escolha a não ser deixá-las serem livres, enquanto eu monitoro cada passo delas à distância pelo rastreador do celular, pronto para destruir qualquer um que ouse olhar torto para elas.
Ouvi o clique da porta abrindo.
Clara entrou no porão. A luz âmbar refletiu na lingerie vermelha, e meu coração esse órgão que ela aprendeu a dominar com maestria falhou uma batida inteira. Aos 37 anos, ela não é apenas a mulher mais linda que já vi; ela é a minha redenção diária.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido
Eu recomendo o romance: O Bilionário Obsecado e a Babá Virgem do Club Proibido. Ao ler o romance fui transportada para um mundo paralelo cheio de sentimentos, amor, sedução e prazer. Foi uma leitura intensa prazerosa que fez florescer em mim desejo que eu não sabia que tinha. Parabéns!!!...