Capítulo 128 — Sintomas e Sinais
Aubrey Fox
Tristan me lançou um olhar mortal, daqueles que costumam fazer qualquer um recuar, mas a Savannah interveio antes que a nossa discussão escalasse. Ela abriu a sua bolsa a tiracolo e puxou um pequeno embrulho de lá.
— Eu sempre carrego comigo um pacote de bolachas água e sal na bolsa por causa das crianças. É algo leve, não vai irritar o estômago dela e vai tirá-la desse jejum prolongado imediatamente — ela explicou, me entregando o pacote com um sorriso dócil.
Peguei o embrulho, sentindo o alívio tomar conta de mim.
— Obrigada, Sasa. Salvou a minha vida.
Savannah sorriu de volta, e eu direcionei o meu olhar vitorioso para o Tristan.
— Viu? Não temos mais nenhum problema aqui. Problema resolvido.
Tristan soltou um suspiro pesado, olhou para o grupo e pediu com educação:
— Meninas, vão indo na frente, por favor. Eu só preciso falar com a Aubrey um minuto a sós.
Emma e as outras assentiram com a cabeça, avisando que estariam nos esperando em frente aos elevadores da garagem, e começaram a se afastar levando as crianças.
Assim que ficamos isolados entre as colunas de concreto, Tristan deu um passo à frente, estreitando os olhos na minha direção.
— Coma. Agora.
Revirei os olhos novamente, sem conseguir me conter.
— E não revira os olhos para mim, Aubrey, ou eu juro que te coloco para dentro desse carro agora mesmo e dou uma sequência de belas palmadas nessa sua bunda, sua garota teimosa — ele disparou, a voz descendo para um tom rouco e perigosamente dominante.
Dei um sorriso de canto, me sentindo ousada diante da ameaça dele. Dei um passo à frente, encurtando a distância e o provocando com o olhar.
— Cuidado com as promessas, meu amor… Falando desse jeitinho autoritário, eu posso muito bem desistir da bolacha da Savannah e optar de uma vez pelas palmadas.
Ele me encarou com um daqueles olhares intensos que faziam o meu interior derreter por completo, o maxilar travando de leve antes de me repreender com seriedade.
— Aubrey…
Sorri da reação dele, abri o pacote e coloquei uma das bolachas na boca. Mastiguei devagar sob a vigilância atenta daqueles olhos verdes e engoli com certa dificuldade, mas mantendo a pose.
— Pronto. Satisfeito, senhor Blackwood?
Tristan cruzou os braços sobre o peito, a insatisfação explícita em suas feições.
— Não. Por mim, eu te levaria de volta para casa ou direto para uma consulta de emergência.
Terminei de comer mais um pedaço, guardei o restante do pacote na minha bolsa e ajeitei a alça no ombro.
— Para de exageros, Tristan. Foi apenas uma dorzinha de estômago boba combinada com uma tontura passageira. Eu já estou me sentindo cem por cento melhor. Agora, por favor, me deixa ir encontrar as meninas antes que elas comecem o rolê sem mim.
Mesmo visivelmente relutante e contrariado, Tristan acabou cedendo. No entanto, ele insistiu em me acompanhar até o hall dos elevadores para ter a certeza de que eu não cairia no meio do caminho.
Subimos a pequena rampa de mãos dadas e, durante todo o trajeto, ele não soltou os meus dedos nem por um único segundo.
Mesmo achando o comportamento dele extremamente exagerado e controlador, lá no fundo, no lugar mais íntimo do meu coração, eu adorava me sentir assim: profundamente amada, cuidada e protegida por ele.
Quando finalmente alcançamos o andar onde as meninas nos aguardavam, ele me puxou para um canto discreto, me deu um último beijo demorado nos lábios e exigiu que eu prometesse que o avisaria por mensagem se sentisse qualquer outra tontura.
Prometi para acalmar o coração dele. Tristan entrou de volta no elevador e eu caminhei em direção ao grupo.

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