Capítulo 130 — Marcas de Sobrevivência
Emma Anderson
Depois de liquidarmos a compra dos materiais escolares das crianças e de devorarmos um almoço barulhento regado a hambúrgueres e batatas fritas na praça de alimentação, a Savannah se ofereceu com total gentileza para ficar cuidando dos pequenos no parquinho do shopping.
Aquela trégua foi a oportunidade perfeita para que nós quatro pudéssemos caminhar sozinhas até a loja de biquínis e lingerie. Entramos no estabelecimento, selecionamos vários modelos e cores nas araras e seguimos juntas em direção à área reservada dos provadores.
— Gente, o biquíni vem com absorvente? — Fer perguntou preocupada e nós rimos.
— Amiga, esse plástico é porque são peças íntimas. — respondi rindo.
— Deus é mais, imagina deixa o brinquedo do meu grandão com cheiro de outro brinquedinho?? — Taylor disse quase em desespero e dessa vez nós gargalhamos.
Fernanda, Aubrey e eu logo saímos das nossas cabines para mostrar as nossas respectivas escolhas nos espelhos centrais, mas a Taylor continuava trancada em seu espaço.
— Tay, você precisa de alguma ajuda aí dentro? — perguntei, me aproximando e batendo levemente na madeira da porta.
— Está tranquilo, Emminha… — a voz dela ecoou de lá de dentro, um pouco abafada e com um tom incomum de hesitação. — Acho que… acho que eu mudei de ideia. Acho que vou optar por comprar um maiô mesmo. — ela concluiu.
Aubrey franziu o cenho, virando-se imediatamente na direção da cabine.
— Maiô, Taylor? Mas nós não havíamos combinado direitinho de comprar biquínis bem ousados para provocar os meninos com as marquinhas de sol durante o resto do verão?
Ouvimos a Taylor soltar um suspiro longo e pesado antes de responder.
— Eu sei muito bem o que nós combinamos, Bree. Mas acho que vou desistir da ideia. Esse modelo aqui definitivamente não combinou comigo. Não ficou bom.
Fernanda deu um passo à frente, aproximando-se da cabine com uma expressão desconfiada.
— Tay, abre essa porta um minuto, por favor. Deixa a gente ver como ficou em você.
Ouvimos o som do trinco metálico girar e, logo em seguida, a porta se abriu devagar. A Taylor parada ali era a definição exata de uma verdadeira deusa.
O corpo dela era simplesmente perfeito, as pernas torneadas, a cintura marcada; olhando para ela, ninguém no mundo seria capaz de dizer que aquela mulher havia dado à luz a pequena Ariana há menos de um ano.
— Meu Deus, você está absolutamente linda! — Aubrey exclamou, a empolgação brilhando em suas feições.
Taylor desviou o rosto, recusando-se a encarar o próprio reflexo no espelho principal antes de falar, a voz carregada de uma defensiva que me intrigou.
— Não se iludam, meninas. Nem tudo o que reluz por aí é ouro.
Franzi a testa, sentindo o meu instinto de proteção apitar. Dei dois passos rápidos, entrei no espaço da cabine e segurei a sua mão com carinho.
— Como assim, Tay? O que você quer dizer com isso? Eu estou vendo uma mulher deslumbrante e perfeita bem na minha frente.
Taylor soltou um riso curto, totalmente desprovido de humor, e fixou os olhos nos meus.
— Não se engane, Emminha… A moeda sempre vai ter dois lados.
Assim que terminou de proferir aquelas palavras, ela girou o corpo e ficou de costas para nós três. O ar pareceu sumir do ambiente. A Aubrey levou a mão à boca em um sobressalto silencioso e a Fernanda desviou o olhar por um breve segundo, visivelmente impactada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar