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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 141

Capítulo 141 — O Alinhamento das Cobras

Giovanna Hampton

Eu havia acabado de sair dos meus aposentos quando notei uma movimentação estranha e abafada no corredor, bem na porta do quarto do Tristan. Parei imediatamente no meio do caminho, escorando o meu corpo contra a parede de gesso para ficar estrategicamente escondida, apenas aguçando os meus ouvidos para conseguir escutar a conversa daquelas idiotas.

O choque que se seguiu foi como uma descarga elétrica. Grávida. Aquela copeira desgraçada de quinta categoria estava realmente grávida do meu homem. Senti um nó violento apertar o meu estômago, seguido por uma vontade absurdamente incontrolável de quebrar cada objeto de porcelana daquela mansão.

Depois que o bando de mulheres finalmente saiu do cômodo e desceu as escadas em direção ao térreo, caminhei a passos firmes e parei exatamente em frente à porta do quarto deles.

Colei o ouvido contra a madeira maciça na tentativa frustrada de escutar o que estava acontecendo lá dentro entre os dois, mas o isolamento acústico tornava tudo inútil.

— Giovanna.

A voz fria e arrastada da Izabel pronunciando o meu nome logo atrás de mim me causou um susto genuíno. Girei o corpo com tudo na direção dela, tentando disfarçar o flagrante.

— O que exatamente você pensa que está fazendo aí, garota? — ela perguntou, arqueando uma sobrancelha.

Ajeitei a minha postura no mesmo segundo, sacudindo a poeira do meu vestido e adotando o meu habitual tom de superioridade.

— Tentando verificar se o que eu acabei de ouvir da boca daquelas pobretonas insignificantes, que esses caras idiotas aqui dentro insistem em chamar de namoradas, era realmente verdade — respondi, sentindo a fúria queimar as minhas veias.

Izabel deu mais um passo lento na minha direção, me medindo com os olhos analíticos.

— E o que foi que você ouviu de tão grave, Giovanna?

Fechei as minhas mãos em punhos apertados ao lado do meu corpo, o maxilar travado de puro ódio.

— Ouvi que a sonsa da copeira está esperando um filho do Tristan. E, pelo visto, o idiota ficou radiante e feliz da vida com a notícia.

Izabel balançou a cabeça de um lado para o outro em pura negação e nojo.

— Eu nunca imaginei que um Blackwood chegaria ao nível deplorável de se rebaixar para casar com uma completa ninguém.

Senti o peso esmagador das palavras dela atingir o meu peito. Casar? Será que o Tristan seria estúpido o suficiente para dar o sobrenome dele para uma empregada só por causa de uma barriga?

Desviei os meus olhos para a mão da Izabel e só então notei que ela segurava uma mala de viagem de grife. Olhei para ela com o cenho franzido, totalmente confusa.

— Aonde você pensa que vai com essa mala a uma hora dessas, Izabel?

Ela bufou, a expressão visivelmente irritada e humilhada enquanto ajeitava o casaco.

— O meu querido ex-genro, simplesmente me expulsou de sua casa na noite passada.

Arregalei os meus olhos em puro estado de choque, sem conseguir acreditar no que estava ouvindo.

— O Damien fez o quê?

— O que você ouviu — ela me encarou, os olhos faiscando em pura indignação e sede de vingança. — Por conta daquela babá de quinta categoria que ele colocou no quarto dele, ele me mandou ir embora. Mas eu já mudei as pedras no meu tabuleiro. Acabei de falar com a Verônica pelo celular, ela vai me acolher e eu garanto que essa humilhação não vai ficar assim. O Damien vai pagar caro.

A menção ao nome da Verônica acendeu um alerta vermelho imediato na minha mente, mas, ao mesmo tempo, trouxe uma luz brilhante para o meu beco sem saída. Se a Izabel estava indo para lá, eu precisava ir junto. Precisava urgentemente da ajuda da Verônica.

— Izabel… Eu posso te acompanhar até a casa da Verônica hoje? — perguntei, forçando uma cumplicidade.

Ela deu de ombros, demonstrando total indiferença.

— Por mim, tudo bem, não me importo. Ela me explicou que está passando uma temporada na mansão do tio dela. Disse inclusive que prefere muito mais a tranquilidade de Hoboken do que a badalação de Manhattan nessa época do ano.

— Perfeito. Vou até o meu quarto apenas pegar a minha bolsa de mão e podemos descer juntas — dei um sorriso grato a ela.

A mulher assentiu com a cabeça e permaneceu parada no meio do corredor me esperando. Corri até os meus aposentos, agarrei a minha bolsa e voltei rapidamente para encontrá-la. Descemos a grande escadaria lado a lado e, como já era de se esperar, fomos completamente ignoradas por todos os presentes.

Izabel caminhou até o Luca para se despedir, e o menino apenas deu um aceno tímido com a cabeça, sem se soltar por um único segundo do abraço da babá que agora leva o título de namorada do Damien.

Damien, que já estava parado perto da porta principal, de saída para a empresa com a sua pasta executiva na mão, virou-se na nossa direção e disparou em um tom de voz mortalmente gélido, direcionado exclusivamente à Izabel:

— James a levará até o seu destino final, Izabel. E que fique bem claro a partir de hoje: qualquer visita futura que você deseje fazer à minha propriedade ou ao meu filho, deverá ser previamente agendada e autorizada por mim.

Notei os dedos da Izabel apertarem a alça da sua bolsa com tanta força que as suas juntas ficaram brancas de raiva.

— Esta mansão ainda pertence legitimamente à minha falecida filha, Damien! E o Luca continua sendo o meu neto! Eu também tenho os meus direitos legais aqui dentro e você não pode apagá-los!

Damien deu um passo firme na nossa direção, a sua imponência física preenchendo o hall de entrada de forma esmagadora.

— Esta casa é exclusivamente minha, Izabel, e será do meu filho quando eu não estiver mais aqui para comandar. Os seus supostos direitos nesta propriedade foram totalmente extintos no exato milésimo de segundo em que você ousou desrespeitar a minha mulher, assustar e ofender o meu filho e cuspir na memória da minha falecida esposa com as suas alianças baratas.

Damien ajeitou o nó da sua gravata escura com total frieza.

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