Capítulo 151 — O Vazio do Espelho
Tristan Blackwood
Enquanto eu caminhava a passos lentos e pesados pelo corredor gélido da UTI em direção ao quarto da Aubrey, minha mente parecia uma panela de pressão prestes a explodir. Meus pensamentos insistiam em voltar para a Giovanna.
Aquela maldita, cretina, ordinária de quinta categoria. Depois de tudo o que ela já tinha me feito passar com sua traição, depois de ter invadido a minha vida com aquele teste de DNA que tenho certeza absoluta que foi fraudado e infernizado a minha paz, ela ainda tinha tido a audácia e a frieza de tentar contra as vidas da minha mulher e do meu filho.
Mas eu iria acabar com ela. Ah, eu ia. Se a justiça do Dominic ou o cerco do Coletti falhassem por falta de provas, eu mesmo me encarregaria de fazê-la engolir cada milímetro do veneno que ela ousou destilar contra a minha mulher.
— Esse é o quarto. — Elijah anunciou em um tom baixo e profissional, quebrando o fluxo dos meus pensamentos assassinos assim que paramos diante de uma porta de vidro fosco. — Ela está dormindo profundamente agora, Stan, devido ao impacto severo da queda e à carga pesada de medicação na veia. Pode ser que ela leve mais um tempo considerável para despertar. Mas o importante é que ela está clinicamente estável e sendo muito bem assistida pela nossa equipe.
Assenti com um aceno rígido de cabeça, sentindo um primeiro e genuíno alívio anestesiar um pouco da dor no meu peito.
— Nós vamos deixar você a sós com ela. — Ester completou, ajeitando o jaleco. — Caso ela acorde ou esboce qualquer reação, nos avise imediatamente para que possamos entrar e examiná-la. E lembre-se: não a deixe levantar da cama sob hipótese alguma, e nem permita que ela faça qualquer tipo de esforço físico ou mental.
— Tudo bem. Obrigado, meus irmãos.— respondi, a voz saindo um pouco rouca.
Elijah deu um tapa firme e encorajador no meu ombro, me dando sustentação. Antes de se afastar, Ester deu um passo à frente e me puxou para um abraço apertado, daqueles que só uma amiga de anos sabe dar.
Ela se inclinou e sussurrou bem próximo ao meu ouvido, com uma determinação que me fez arrepiar:
— Já pedi para o Juan antecipar as coisas para nós. Ele vai pressionar pessoalmente o pessoal do laboratório hoje mesmo, usando toda a influência que tem. E eu… bem, eu mesma arranco o sangue daquela vaca da Giovanna na unha se for preciso para fazermos um novo teste de DNA.
Um sorriso involuntário e de puro agradecimento nasceu nos meus lábios diante das palavras ferozes da minha amiga. Quando nos separamos do abraço, o Elijah olhou para a irmã com uma expressão de total incredulidade, arqueando as sobrancelhas.
— Ester, eu juro que já te achava uma mulher meio sanguinária e assustadora antes. Mas, depois que você se casou com o Juan… você está consideravelmente pior, de verdade.
Ester deu de ombros com total desdém, exibindo um sorriso carregado de uma malícia divertida e cúmplice antes de rebater:
— Ah, Eli… para ser a mulher do diabo, a gente tem que ser pelo menos meio demônio, não acha?
Eu acabei soltando uma risada curta no meio daquele corredor tenso do hospital, sentindo o clima aliviar por um breve segundo.
— Jesus amado… eu tenho certeza absoluta de que o papai até se remexeu no túmulo agora ouvindo isso. — meu amigo disse, balançando a cabeça em pura indignação dramática.

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