Capítulo 199 — Abismo entre nós
Emma Anderson
Mesmo depois de toda a dor sufocante que vivi na noite anterior por conta do desabafo da Aubrey, hoje pela manhã eu consegui sorrir. A vida é esse contraste louco de sentimentos.
Quando o Damien contou para as crianças sobre a gravidez durante o café e o Luca, meu menino lindo, puro e amoroso, perguntou com a maior inocência do mundo se eu poderia ser a mamãe dele de verdade, uma tempestade de emoções me atingiu em cheio.
Eu chorei de emoção pelo meu menino, chorei pelo amor gigante do Damien, mas a imagem da Clara também veio com força à minha mente. As palavras que ela me disse naquela noite:
“Vive por ele. Ame por mim”
Essas palavras nunca tinham feito um sentido tão claro e cristalino para mim quanto hoje. Porque hoje eu vivo pelo Luca. Eu o amo por mim e por ela, com a mesma intensidade visceral que uma mãe ama o seu próprio filho. Com a mesma intensidade que sabia que Clara o amava.
Só que o nosso momento de celebração foi brutalmente interrompido. Damien notou primeiro do que todos nós que a minha irmãzinha não estava mais à mesa. E, depois disso, o meu mundo ruiu por completo de um jeito aterrorizante.
A Ellie, a minha garotinha de apenas seis anos, estava perdida no Palisades Interstate Park. A propriedade do Damien dava fundos diretamente para a reserva do parque. O que não seria um problema grave se não estivéssemos falando de mais de 2.500 acres de áreas completamente silvestres, repletas de matas densas, falésias perigosas e margens íngremes de rio.
— Eu vou lá! Eu preciso ir lá ajudar a procurar por ela! — falei num salto, levantando do sofá, o pavor me dominando.
Taylor me segurou de um lado com firmeza, enquanto a Fernanda me segurava do outro:
— Você vai é ficar bem aí quietinha no seu lugar, Emma Anderson! — Taylor ordenou, usando um tom firme para me conter. — Todo mundo já está lá fora no mato procurando! O parque é movimentado, Emma, a qualquer momento alguém da equipe ou algum visitante vai trombar com ela na trilha!
— Mas, Tay… aquele parque é enorme! — protestei com a voz falhando e o peito queimando em agonia.— A vegetação lá atrás é densa demais e o terreno é extremamente perigoso!
Senti o meu peito apertar de forma insuportável e as lágrimas vieram de vez, lavando o meu rosto de desespero.
— Eu não vou aguentar se acontecer qualquer coisa grave com a minha irmã… Eu juro que não vou suportar se eu perder a Ellie! Eu não…
Senti dois bracinhos pequenos e conhecidos envolverem a minha perna com força por baixo. Olhei para baixo e vi o Luca me encarando com o olhar mais puro do mundo.
— Não chora, mamãe! O papai vai achar a minha Ellie… Ele é super forte, ele sempre acha tudo!
Olhei para o meu pequeno, tão inocente e confiante na figura do pai. Me sentei no sofá, bati nas minhas coxas em um convite mudo e ele entendeu o recado na hora: subiu no meu colo e passou os seus bracinhos finos ao redor do meu pescoço, deitando a cabeça no meu peito.
Eu simplesmente desabei ali mesmo, abraçando o ele enquanto chorava copiosamente.
De repente, o som da porta da frente sendo aberta com violência ecoou pelo hall e um verdadeiro batalhão entrou na sala de estar.
— Oi, meu bem… — Juliet veio correndo na minha direção, acompanhada pela Sammy, Penélope, Jen, Esther e pela Mia. Os rapazes vieram logo atrás delas.
Taylor levantou do sofá na hora, cruzando os braços.
— Os meninos já estão todos lá na área da mata do parque procurando! — ela fez um sinal rápido com a cabeça para a porta dos fundos.
Os rapazes nem precisaram ouvir mais uma única palavra. Noah, Atlas e o restante do grupo seguiram imediatamente para o perímetro externo da casa para se juntarem às buscas com o Damien, o Dom e o Ozzie.
Mia, como a mulher doce e querida que sempre foi, aproximou-se do sofá onde eu e o Luca estávamos encolhidos.
— Ei, Luquinha… Você não quer vir com a tia Mi lá para a sala de TV? Todos os seus amiguinhos foram para lá brincar, e a vovó Cece, que você adorou conversar naquele dia, também está lá cuidando deles.
Luca negou com a cabeça com firmeza, apertando o meu pescoço.



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