Capítulo 61 — O preço das escolhas
Emma Anderson
Eu fiquei parada na porta, sem acreditar no que havia ouvido. Luca... ele falou. Me virei com cuidado; Ambrose o colocou no chão e ele correu até mim.
— Meu menino — falei, o pegando no colo e o beijando. — Você falou, meu amor… — eu disse, emocionada de uma forma diferente agora. — Você falou.
— Não deixa… — ele disse em um tom baixo. — Não deixa o Luca de novo. — Suas palavras abriram um buraco no meu peito. Então foi isso que ele pensou nos últimos anos: que eu o havia deixado depois do que nos aconteceu.
— Eu não vou… — o beijei freneticamente. — Eu vou estar sempre aqui para você, sempre. — O beijei novamente. — Você vai ser sempre meu menino.
Luca chorou e me agarrou mais ainda. Se já estava difícil a nossa despedida, agora ela era insuportável. No momento em que eu passasse por aquela porta, ele iria entender como um abandono, como se, mais uma vez, eu estivesse… o abandonando. Separei nossos rostos que estavam colados, sequei suas lágrimas e beijei seu rostinho.
— Escuta o que a Em vai te falar. — Ele me encarou com os olhos verdes tão parecidos com os da Clara. — Eu estou indo, mas eu vou dar um jeito de vir te ver… — encostei minha testa na dele. — Sempre… eu prometo.
Ficamos abraçados mais um pouco. James apareceu na porta.
— Em, a Ellie está dando trabalho para a Savannah. Ela quer voltar aqui para dentro de todo jeito.
Suspirei em derrota; abracei Luca mais uma vez. Pedi para ele ficar com o tio Ozzie, que eu ia voltar para vê-lo. Relutante, ele cedeu quando percebeu que não havia mais nada que pudéssemos fazer.
— Obrigada — agradeci ao meu amigo, que se aproximou e beijou a minha testa.
— Vai lá. Me avisa depois onde vai ficar, que assim que der vou para lá. — Ozzie olhou para o Luca, depois para mim. — Vou falar com o Damien assim que ele pousar em São Francisco e resolver toda essa bagunça.
Segurei a mão de Ambrose e a apertei com carinho.
— Obrigada por tudo. — Ele me puxou para seus braços e ficamos abraçados, os três, por alguns segundos.
— Eu te amo, querida. Não esqueça disso — ele sussurrou em meu ouvido, e as lágrimas voltaram com força.
Me ajeitei e dei um último beijo no Luca. Olhei ao redor e notei que todos haviam saído, então fiz o mesmo. Chegando lá fora, El estava no colo de Bree, que tentava acalmá-la.
— Já sabe para onde vai? — Simon, que tinha me esperado esse tempo todo, perguntou.
— Tem uma pousada no Brooklyn. Pensei em ficar por lá até arrumar alguma coisa.
— Os caras me contaram sobre a saúde da sua irmã. Acha que um lugar desses é o ideal para ela? — ele me perguntou, e suspirei antes de responder:
— Sei que não é. Mas recusei a casa que o Damien me ofereceu, o apartamento do Stan e até ficar com o Ozzie. — Soltei o ar em derrota. — Resumindo: não tenho opção.
— Fica comigo… — ele disse baixo, e levantei os olhos para encará-lo. — Eu ajudo você a arrumar um bom lugar. Meu apartamento é grande. Eu estava conversando com a Savannah; ela disse que é a enfermeira da Ellie, você pode levá-la também.
— Não sei, Simon. Não quero te dar trabalho. — Ele pegou minha mão com cuidado.
— Não vai. E é temporário. Tenho amigos lá; o Elijah se mudou recentemente… — Simon tirou uma mecha de cabelo do meu rosto e a colocou atrás da minha orelha. — Vocês não estarão sozinhas. Vamos procurando um lugar com calma e, com o tempo, tudo vai se ajeitando.
Mordi os lábios pensando nas minhas possibilidades. Mesmo com o dinheiro que o Damien me deu, um lugar assim, de última hora, não seria fácil. Ficar no Stan ou com o Ozzie ainda daria ao Damien o controle que ele não tinha direito sobre a minha vida.

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